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Incêndio e pressão por fim dos combustíveis fósseis: COP30 chega na reta final

Após evacuação do centro de convenções em Belém, países cobram que proposta final da conferência inclua roteiro para abandono dos combustíveis fósseis
Um incêndio consome um pavilhão durante a COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Belém, estado do Pará, Brasil, em 20 de novembro de 2025.

Um incêndio consome um pavilhão durante a COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Belém, estado do Pará, Brasil, em 20 de novembro de 2025.

— Jacqueline Lisboa/AFP

21 de novembro de 2025

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) entrou nesta sexta-feira (21) na etapa decisiva das negociações climáticas sob forte tensão política e operacional. Um incêndio atingiu, na tarde de ontem, parte do pavilhão nacional no Parque da Cidade, em Belém, interrompendo  reuniões e provocando a evacuação de milhares de pessoas. Vinte participantes receberam atendimento médico por inalação de fumaça.

As causas do incêndio ainda não foram esclarecidas. A estrutura construída para o evento teve parte do teto perfurada pelas chamas. Esta é a primeira Conferência do Clima realizada na Amazônia e reúne quase 200 países e cerca de 43 mil credenciados.

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Após a evacuação e a suspensão das sessões, a presidência brasileira da COP e a Organização das Nações Unidas (ONU) pediram que os delegados retomassem as negociações com “determinação e solidariedade”. As plenárias reabriram nesta sexta-feira, último dia oficial do encontro.

Proposta brasileira é criticada por excluir termo “combustíveis fósseis”

A crise logística ocorreu no momento em que as divergências sobre o fim do uso de combustíveis fósseis se agravaram. A presidência brasileira divulgou uma nova minuta de texto do acordo final sem mencionar o termo “fósseis”, o que gerou reação imediata de países e blocos.

A União Europeia classificou a proposta como insuficiente. “Não está perto da ambição necessária para a mitigação”, afirmou o comissário do clima, Wopke Hoestra, em nota enviada à Agence France-Presse (AFP). A França chamou a ausência do tema de “omissão incompreensível”.

Em carta divulgada pela Colômbia, 30 países – incluindo França, Reino Unido, Alemanha e outras nações europeias – manifestaram “profunda preocupação” com a proposta. O grupo afirmou que não pode apoiar um texto sem um “roteiro para uma transição justa, ordenada e equitativa para a eliminação dos combustíveis fósseis“.

“Temos que ser honestos: a proposta não cumpre condições mínimas para um resultado crível”, afirmaram as delegações signatárias.

Do outro lado da disputa, China, Índia, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia rejeitam qualquer menção a um cronograma de eliminação de combustíveis fósseis. O presidente da COP, embaixador André Correa do Lago, reconheceu que o tema “divide muitos países”, citando a resistência de produtores e consumidores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende publicamente um “mapa do caminho” para acelerar a transição energética, mas a proposta brasileira não reflete essa posição.

Incidentes anteriores e críticas à organização

A COP30 enfrentou dificuldades antes e durante os trabalhos. A presidência do evento recebeu na semana passada uma queixa da ONU. O chefe das Nações Unidas para o Clima, Simon Stiell, reclamou da segurança após um grupo de povos originários forçar o dispositivo de segurança durante um protesto

A reclamação do chefe da ONU também abordou vazamentos de água, problemas que o governo brasileiro informa a correção. Uma fonte da organização aponta que as dificuldades operacionais pouco antes da COP sugeriam a ocorrência de incidentes.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, defendeu a estrutura montada. “Houve aqui um princípio de incêndio, isso é passível em qualquer grande evento. Não é porque é em Belém que… Eu peço, inclusive, que os veículos de comunicação sejam muito reais, eu peço, inclusive, que os veículos sejam muito fiéis com o que está acontecendo aqui. Esse princípio de incêndio poderia acontecer em qualquer lugar do planeta Terra”, disse para jornalistas em Belém.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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