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Emissões de CO2 de combustíveis fósseis baterão recorde em 2025, diz estudo

Relatório internacional aponta aumento de 1,1% nas emissões em 2025 e alerta que limite de 1,5°C pode se tornar inalcançável
Fumaça saindo de usinas nucleares.

Fumaça saindo de usinas nucleares.

— Reprodução/Freepik

14 de novembro de 2025

As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) provenientes da queima de combustíveis fósseis devem atingir um recorde em 2025, segundo o relatório Global Carbon Budget, divulgado nesta quinta-feira (13). O estudo conclui que a tendência de alta coloca em risco o cumprimento da meta do Acordo de Paris, que prevê limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Os cientistas estimam que as emissões geradas por petróleo, gás e carvão subirão 1,1% neste ano em relação a 2024, totalizando 38,1 bilhões de toneladas de CO2. De acordo com o relatório, as fontes renováveis ainda não suprem o crescimento da demanda global de energia.

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Pierre Friedlingstein, diretor da pesquisa e professor da Universidade de Exeter, afirmou que o “orçamento de carbono” restante para o limite de 1,5°C é de 170 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente a quatro anos de emissões no ritmo atual. “É basicamente impossível manter o aquecimento abaixo desse limiar se a tendência continuar”, disse o pesquisador.

O relatório foi publicado durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), e reacendeu o debate sobre a lentidão na redução das emissões. O evento ocorre sem a presença dos Estados Unidos, o segundo maior poluidor do planeta.

“Precisamos de metas mais ambiciosas. Cada décimo de grau é crucial”, afirmou o cientista Stephen Stich, também da Universidade de Exeter, durante o encontro.

Glen Peters, do centro de pesquisa climática CICERO, destacou que “o mundo não está entregando o que prometeu” e que “todos precisam fazer mais”.

China e Estados Unidos mantêm emissões elevadas

O relatório detalha a situação dos principais emissores. Enquanto as emissões da China se mantiveram estáveis, impulsionadas pelo uso contínuo de carvão, a incerteza sobre sua política energética impede afirmar que o país atingiu seu pico de poluição

Nos Estados Unidos, o uso de carvão cresceu cerca de 7,5% após o aumento do preço do gás natural, revertendo a tendência de queda observada em anos anteriores. “É incompreensível, pois as energias renováveis já são mais baratas. Mesmo assim, os combustíveis fósseis continuam dominando”, criticou Niklas Höhne, do Instituto NewClimate.

A União Europeia também registrou alta nas emissões, atribuída ao aumento da demanda por calefação durante o inverno. Já a Índia teve crescimento moderado devido ao avanço das energias limpas e à chegada precoce das monções.

Apesar da alta nos combustíveis fósseis, o relatório mostra redução das emissões ligadas ao uso do solo, resultado da diminuição do desmatamento e dos incêndios florestais na América do Sul. O estudo associa a melhora ao fim das condições secas provocadas pelo fenômeno El Niño entre 2023 e 2024.

As emissões totais da humanidade, considerando todos os setores, devem alcançar 42,2 bilhões de toneladas em 2025, número semelhante ao do ano anterior.

Publicado na revista Earth System Science Data, o relatório destaca que 35 países já conseguiram reduzir emissões sem comprometer o crescimento econômico — o dobro do registrado há dez anos.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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