Apesar da adoção das cotas raciais para docentes, a Universidade de São Paulo (USP) mantém menos de 4% de professores negros em seu corpo acadêmico. As informações constam em relatório da Rede Liberdade e da Ação Educativa, divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo no último domingo (13).
O levantamento integra a análise técnica da Rede Liberdade, apresentada à 14ª Vara da Fazenda Pública da capital paulista, na ação movida pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPESP).
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A partir de dados da universidade e do Diário Oficial do Estado, entre 2022 e 2025, o percentual de docentes negros na USP passou de 2,64% para 3,96%. O índice representa um crescimento de apenas 1,32% no período analisado.
O estudo destaca que, mesmo que a presença de docentes negros tenha aumentado 63,6% em relação ao ano anterior, o avanço não impacta a composição racial do corpo docente de maneira significativa.
A projeção, segundo a organização, é que a Universidade de São Paulo precisaria de mais de 80 anos para representar a proporção da população negra do estado (cerca de 40%).
Para os professores indígenas o contexto de subrepresentação é ainda mais expressivo. Apenas quatro docentes entre os mais de 5 mil que integram o quadro da USP são indígenas.
As organizações também criticam o não cumprimento das diretrizes da Resolução nº 8434/2023, que estabeleceu políticas afirmativas para negros e indígenas na USP.
O levantamento identificou que, entre 67 concursos para professor doutor, apenas dois registraram publicamente a aplicação de comissões de heteroidentificação para validar a autodeclaração racial.