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Indígena Guarani Kaiowá é morto por pistoleiros no Mato Grosso do Sul

Segundo o Conselho Indigenista Missionário, testemunhas relataram que os agressores tentaram remover o corpo da vítima do local
Imagem mostra a sombra de indígenas no chão.

Imagem mostra a sombra de indígenas no chão.

— Marcello Casal Jr./Agência Brasil

17 de novembro de 2025

Um homem indígena da etnia Guarani e Kaiowá foi assassinado na madrugada do último domingo (16) durante um ataque de pistoleiros em área de retomada da Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá, na cidade de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.

Em nota à imprensa, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que homens fortemente armados invadiram o território e assassinaram Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá e Guarani, de 36 anos, com um tiro na cabeça. Segundo relatos, os atiradores tentaram recolher o corpo da vítima, mas foram impedidos pelos indígenas

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O ataque começou por volta das quatro horas da manhã e durou cerca de duas horas. O comunicado da organização destaca que um cerco foi realizado contra a aldeia e uma ponte foi destruída para impedir o acesso ao local, o que dificultou a chegada da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP). 

Outras quatro pessoas foram atingidas por disparos, entre elas dois adolescentes e uma mulher. Um adolescente foi alvejado com arma de fogo e os demais foram atingidos com balas de borracha. O Cimi recorda que esse tipo de armamento não letal é restrito ao uso das forças de segurança.

“Compondo a agromilícia, tratores derrubaram os barracos da retomada e abriram buracos para enterrar os pertences dos Kaiowá e Guarani, como panelas, roupas, mantimentos, lonas e objetos ligados à espiritualidade e cultura do povo. Alguns barracos e utensílios foram incendiados”, diz trecho do comunicado.

Desde outubro, a etnia iniciou a retomada que ocupa uma área de 100 hectares da Fazenda Cachoeira sobreposta à TI e fronteiriça à aldeia Pyelito Kue. O local abriga mais de 200 pessoas em apenas um dos 761 hectares da fazenda. Neste intervalo, a comunidade já sofreu quatro ataques. 

Em 2007, o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que definia o prazo de três anos para a publicação dos estudos do conjunto de TIs Guarani e Kaiowá no estado. O relatório, que só foi publicado em 2013, delimitou o território com 41,5 mil hectares. 

A Funai, também em nota, manifestou pesar pela morte de Vicente Fernandes e reforçou a necessidade de uma ação rigorosa para investigar o caso. A autarquia solicitou ações conjuntas para combater os grupos de pistoleiros que atuam na região. 

“É inaceitável que indígenas continuem perdendo suas vidas por defender seus territórios. A morte de mais um indígena Guarani Kaiowá acontece ao mesmo tempo em que o mundo discute e visualiza a importância dos povos indígenas para a mitigação climática debatida na COP30, infelizmente evidenciando que não existe trégua na perseguição aos corpos dos defensores do clima”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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