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MP denuncia delegado Marcello Cunha por disparar em via pública no Pará

A denúncia é resultado do episódio ocorrido na madrugada de 25 de janeiro deste ano, na orla de Limoeiro do Ajuru, no nordeste paraense.
Vídeos gravados por testemunhas mostram o delegado efetuando disparos de arma de fogo.

Reprodução

— Vídeos gravados por testemunhas mostram o delegado efetuando disparos de arma de fogo.

2 de julho de 2026

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) denunciou à Justiça o delegado de Polícia Civil Marcello Henrique Carvalho Cunha pelos crimes de disparo de arma de fogo em via pública e dano qualificado.

A informação foi confirmada à Alma Preta pela assessoria de comunicação do órgão, por meio de nota enviada nesta quinta-feira (2).

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A denúncia é resultado do episódio ocorrido na madrugada de 25 de janeiro deste ano, na orla de Limoeiro do Ajuru, no nordeste paraense.

O caso ganhou ampla repercussão após a divulgação de vídeos gravados por testemunhas, nos quais o delegado aparece efetuando disparos de arma de fogo. As imagens também indicam que ele apresentava sinais visíveis de embriaguez.

Segundo depoimentos prestados ao Ministério Público, Marcello Cunha chegou ao local em uma viatura, acompanhado de três mulheres e um homem, e tentou se juntar a um grupo de jovens que consumia bebidas alcoólicas.

Ainda de acordo com os relatos, após a recusa do grupo, o delegado passou a intimidar os presentes com uma arma de fogo.

Quando um dos jovens tentou deixar o local em uma motocicleta, o delegado teria efetuado um disparo que atingiu o tanque do veículo. Em seguida, um segundo tiro foi disparado na direção do grupo que fugia. Ninguém foi atingido.

Ao analisar o inquérito policial, o Ministério Público concluiu haver elementos para denunciar o delegado pelos crimes de disparo de arma de fogo em via pública e dano qualificado, em razão dos danos provocados à motocicleta. A Promotoria de Justiça de Limoeiro do Ajuru informou que o inquérito foi concluído pela Polícia Civil e remetido ao MP, que apresentou a denúncia ao Poder Judiciário.

O processo agora aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia. Caso a acusação seja aceita, será instaurada uma ação penal contra o delegado.

Além da investigação criminal, o caso também é apurado administrativamente pela Corregedoria da Polícia Civil do Pará, informou o Ministério Público. Segundo o MP, a Apuração Administrativa Interna permanece em andamento, conforme atualização encaminhada pela corporação ao órgão em 11 de junho de 2026.

Mas o prazo para realização da apuração interna na Polícia Cívil já se esgotou há quatro meses. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado de 2 de fevereiro de 2026, estabeleceu um prazo de 30 dias para a realização da investigação administrativa. A condução ficou sob responsabilidade do delegado Renato Lopes Tarallo, corregedor regional do Baixo Tocantins. 

Na nota enviada à reportagem, o MP destacou que as responsabilizações criminal e administrativa tramitam de forma independente. Enquanto cabe ao Ministério Público promover a ação penal. Eventual punição disciplinar é de competência da própria Polícia Civil, por meio da Corregedoria.

A Promotoria de Justiça informou ainda que continuará acompanhando a investigação administrativa e aguardará a conclusão do procedimento para analisar as medidas internas adotadas pela Polícia Civil.

A Polícia Civil e o Tribunal de Justiça do Estado do Pará foram procurados para se manifestar sobre o caso, mas não responderam os questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Outros casos contra o delegado seguem sem acusação criminal 

Além do caso ocorrido em Limoeiro do Ajuru, Marcello Henrique Carvalho Cunha é citado em outras denúncias acompanhadas pela Alma Preta. Em nenhuma delas, até o momento, o Ministério Público do Pará ofereceu acusação criminal.

Em Oeiras do Pará, o delegado comandava a operação policial realizada em 7 de novembro de 2024, que terminou com a morte do jovem negro Rosimilck Rick Maciel Amorim. À época, Cunha era o delegado responsável pelo município. 

Segundo a versão apresentada pelos policiais, a equipe cumpria diligências após uma denúncia anônima de que a vítima armazenava armas e drogas para uma organização criminosa. Os agentes afirmaram que Rosimilck reagiu à abordagem atirando contra a equipe, o que teria motivado o revide. A residência foi invadida sem mandado judicial. 

Essa versão, contudo, passou a ser contestada após familiares e advogados da vítima terem acesso às imagens das câmeras de segurança da casa. Os vídeos mostram um policial, com o apoio de outros agentes, conduzindo Rosimilck imobilizado por um golpe conhecido como “mata-leão” até o quarto onde ele foi morto.

Em junho deste ano, a Alma Preta revelou outro caso envolvendo o delegado. A servidora pública Mayara Corrêa denunciou ter sido vítima de agressões físicas, humilhações e abuso de autoridade durante uma operação policial realizada em 12 de outubro de 2024, em uma festa de aniversário em Oeiras do Pará.

Segundo o relato da servidora, ela foi presa, permaneceu nua durante toda a noite em uma cela, mesmo estando menstruada, e sofreu tratamento degradante enquanto estava sob custódia.

Mayara também afirma que outras pessoas presentes na confraternização foram agredidas e ameaçadas pelos policiais. As acusações foram formalizadas em março de 2026 perante a Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

Ao longo da cobertura desses casos, a Polícia Civil do Pará foi procurada pela Alma Preta para comentar as denúncias envolvendo o delegado, mas até o momento não houve resposta.

A reportagem solicitou um novo posicionamento e manterá o espaço aberto para manifestação das autoridades.

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  • Fernando Assunção

    Repórter do Alma Preta Jornalismo na Amazônia paraense. Foco na cobertura de temas como direitos humanos, meio ambiente, política e questões relacionadas a povos e comunidades tradicionais.

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