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Indígenas Kaiowá e Guarani bloqueiam estrada em ato contra uso de agrotóxico em comunidade

A mobilização denuncia a pulverização de agrotóxicos em área próxima à Terra Indígena Guyraorá e cobra ação das autoridades públicas
Indígenas Kaiowá e Guarani em retomada de área na Terra Indígena (TI) Guiyraroká, em Caarapó (MS).

Indígenas Kaiowá e Guarani em retomada de área na Terra Indígena (TI) Guiyraroká, em Caarapó (MS).

— Reprodução/Renato Santana/Cimi

16 de outubro de 2025

Indígenas Kaiowá e Guarani bloquearam, nesta quinta-feira (16), uma estrada vicinal que atravessa a Fazenda Ipuitã, em Caarapó (MS), denunciando o uso indiscriminado de agrotóxicos em área de retomada na Terra Indígena (TI) Guyraorá.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a mobilização ocorre após denúncias de que os arrendatários da fazenda preparam um novo plantio com a pulverização de agrotóxicos nocivos ao redor da comunidade. 

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A retomada, iniciada pelos indígenas no dia 20 de setembro, foi motivada, principalmente, pela questão dos agrotóxicos. Em nota, a entidade informou que, pela manhã, ao menos sete máquinas se preparavam para ir a campo no território com a escolta da polícia estadual.

“O plantio escancara aos Guarani e Kaiowá a inexistência ou fracasso de um acordo, prometido pelas autoridades públicas, sobretudo por representantes do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), para conter a pulverização de agrotóxicos nas proximidades da comunidade”, diz trecho do comunicado. 

O conselho recorda que diversos agrotóxicos usados pelos ruralistas já foram alvo de denúncias nacionais e internacionais. Na Justiça, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou a apuração e providências sobre os responsáveis pela pulverização aérea e terrestre de agrotóxicos em aldeias.

Um indígena Kaiowá e Guarani ouvido pelo Cimi, que não teve seu nome revelado por segurança, declarou que as autoridades foram informadas do avanço dos arrendatários, mas nenhuma providência teria sido tomada. 

“Estamos aqui no bloqueio. Cansamos de esperar. Estamos comunicando as autoridades há dias e agora com os maquinários chegando, decidimos não esperar mais. Vamos enfrentar as máquinas, a polícia. A vida do nosso povo está em jogo, não vamos mais tomar chuva de veneno sem fazer nada”, declarou. 

No dia 21 de setembro, a retomada foi alvo de uma abordagem ostensiva das forças de segurança. Segundo denúncia do CIMI, policiais civis e militares, com apoio do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), estiveram no local e ameaçaram levar indígenas presos.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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