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Influenciador é processado por discurso transfóbico nas redes sociais

Ação civil pública do MPF pede o pagamento de indenização no valor de R$ 50 mil por danos morais coletivos
A foto mostra uma pessoa segurando uma bandeira trans.

A foto mostra uma pessoa segurando uma bandeira trans.

— Reprodução / MDHC

5 de junho de 2025

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma ação civil pública contra um influenciador digital por divulgação de conteúdo discriminatório à população LGBTQIAPN+, especialmente contra crianças e adolescentes trans.

A ação, aberta na Justiça Federal do Rio de Janeiro, pede que o acusado pague indenização de R$ 50 mil pelos danos morais coletivos e faça uma retratação pública em todos os seus perfis nas redes sociais. Os valores devem ser destinados à estruturação de centros de cidadania LGBTQIAPN+ no Rio de Janeiro ou ao Fundo de Direitos Difusos.

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Segundo o processo, o influenciador publicou a imagem de uma família participante da 27ª Parada do Orgulho LGBT+, em São Paulo, no bloco da Organização Não Governamental (ONG) “Minha Criança Trans”. Em seguida, ele postou o vídeo intitulado “Crianças Trans Existem?”, com caráter humorístico e negacionista sobre a transgeneridade na infância.

A ação também destaca que o criador de conteúdo se apresenta como “Terapeuta e Cristão” e possui mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram.

O órgão defende que as postagens fomentam o discurso de ódio e foram amplamente republicadas por políticos e outros influenciadores, com a adição de mensagens transfóbicas. 

Para Julio Araujo, procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto no Rio de Janeiro, a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não absoluto.

Araujo reforça que, em manifestações anteriores, o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que manifestações que incitem a discriminação ou a violência contra a comunidade LGBTQIAPN+ não são protegidas pela liberdade de expressão.

“As postagens violaram a honra e a dignidade de pessoas trans e travestis, fomentando preconceito contra um grupo historicamente vulnerabilizado. O silêncio institucional diante da LGBTfobia significa cumplicidade”, declarou o procurador em nota do MPF.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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