Após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, um dos maiores desafios vai além de reconstruir prédios e ruas: é restaurar dignidade, pertencimento e justiça social. Essa é a missão do projeto desenvolvido pela Black Sisters in Law, rede global de advogadas negras fundada por Dione Assis, que foi selecionado pelo Regenera RS, fundo filantrópico-catalítico voltado para a regeneração do estado.
A iniciativa vai oferecer orientação e apoio jurídico gratuito às populações mais vulneráveis atingidas pela tragédia, mulheres negras, famílias periféricas, pessoas trans, com deficiência, idosas e em situação de rua. O objetivo é destravar, por meio do Direito, o acesso a auxílios, políticas públicas e serviços fundamentais, evitando que alguém perca benefícios ou um recomeço por falta de informação ou apoio.
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“Desastres não são neutros. Eles atingem a todos, mas não de forma igual. Excluir as vozes mais vulneráveis das decisões de reconstrução significa repetir erros e comprometer a eficácia da resposta social”, afirma Dione.
O modelo proposto funciona como uma economia circular da justiça: cada real investido na estruturação jurídica da resposta ao desastre pode retornar dez vezes mais em benefícios efetivos para famílias, trabalhadores e pequenos empreendedores. Assim, o dinheiro público previsto em lei chega de fato a quem precisa, gerando impacto direto na economia local e fortalecendo o desenvolvimento sustentável.
Para a advogada, reconstruir vai além de erguer paredes: “Reconstruir é recriar vínculos, restaurar confiança e redistribuir poder. Só será possível se o recomeço for coletivo, inclusivo e mais justo.”