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‘Não temos tempo para o medo’: Jones Manoel é alvo de ameaça de grupo neonazista

Em entrevista à Alma Preta, Jones Manoel informa que não recuará das atividades públicas após receber ameaças de um grupo neonazista
O historiador e comunicador popular Jones Manoel.

O historiador e comunicador popular Jones Manoel.

— Reprodução/Arquivo Pessoal

21 de agosto de 2025

Na última quarta-feira (20), o comunicador e historiador Jones Manoel foi alvo de ameaça de morte feita por um grupo autodenominado nazista. A mensagem continha injúrias raciais, discurso de ódio e tentativa de extorsão.

A denúncia foi divulgada pela defesa de Jones em publicação no Instagram. O comunicado informou que o grupo “Brigada Hitlerista Brasileira (ATTOMWAFFEN BRASIL)” reivindicou a autoria das mensagens, que diziam que o comunicador estaria “na linha da bala por mais de 6 meses”. 

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“Diante da gravidade da ameaça contra a integridade física de Jones Manoel, tornamos pública a preocupação quanto à sua segurança e pedimos a solidariedade da sociedade civil e atenção das autoridades competentes”, diz trecho do comunicado. 

Em entrevista à Alma Preta, Jones Manoel explica que, considerando todas as ameaças anteriores, avalia o recente episódio como o mais grave de todos. 

“Episódios de ameaça acontecem há muito tempo na minha militância política. Essa não é a primeira ameaça, mas essa foi a mais grave. Porque foi um compilado de vários dados pessoais, vários deles não são públicos”, conta. 

Além de ofensas racistas e nazistas, a mensagem tinha um levantamento minucioso com os seus endereços e as atividades realizadas nos últimos oito anos. O compilado trazia informações sobre horários de embarque e desembarque, localização das atividades e os horários. 

Segundo o articulador, a crescente dos ataques pode estar relacionado com o aumento da sua visibilidade política e dos debates trazidos em conjunto com o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), do qual participa.

“Não me parece que seja coincidência que as ameaças venham crescendo. Teve o episódio da Meta em que, até hoje, a gente nunca teve uma explicação da empresa. Parece que a gente tem consequências esperadas de um crescimento político de um militante de esquerda, comunista, que faz um debate radical.”, declara Jones. 

O caso com a Meta ocorreu no dia 6 de agosto, quando o comunicador teve suas contas removidas do Instagram e do Facebook sem qualquer aviso prévio. As contas foram recuperadas dois dias depois, após grande repercussão. 

Para o comunicador, a permissividade das big techs em relação aos conteúdos racistas e neonazistas favorecem a circulação dos discursos de ódio nos algoritmos, o que reforça a urgência da regulação das plataformas no Brasil. 

“A gente tem vários casos de defensores dos direitos humanos, ambientalistas, militantes feministas e LGBTs, que vêm sendo perseguidos, alvos de discurso de ódio, de difamação ou deepfakes. Meu caso é mais um que demonstra a necessidade não só de regular, como avançar no debate sobre criar redes sociais brasileiras”. 

Jones Manoel afirma que as providências jurídicas estão sendo tomadas pela sua equipe jurídica, que se reuniu com a presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alep). A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) também serão acionados. De acordo com o historiador, nenhuma atividade pública será cancelada. 

“As atividades vão seguir, porque, historicamente, o fascismo e o nazismo trabalham na difusão do medo, querendo intimidar as organizações populares. Como disse Marighella, nós, comunistas, não temos tempo para ter medo. A gente tem tarefas urgentes para cumprir na luta pela Revolução Brasileira e pelo poder popular, e vamos enfrentando todo tipo de ameaça, venha de onde vier”, completa. 

À Alma Preta, a defesa de Jones Manoel declarou que adotará todas as medidas legais cabíveis para que o caso seja encaminhado às autoridades competentes para identificação e responsabilização criminal dos responsáveis. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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