PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Ialorixá é acusada por juiz de intolerância após denunciar corrida cancelada por motorista de app

Juiz do 2º Juizado Especial Cível de João Pessoa concluiu que a interpretação negativa da Ialorixá à fala do motorista configura intolerância
As mãos de um homem dirigindo um carro.

As mãos de um homem dirigindo um carro.

— Rovena Rosa/Agência Brasil

22 de outubro de 2025

Um juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) foi denunciado, na terça-feira (21), por racismo religioso em decorrência do texto de uma decisão. No caso de uma Ialorixá que teve uma corrida cancelada por um motorista de aplicativo na capital João Pessoa, o magistrado concluiu que o crime foi cometido pela vítima.

Ao solicitar um veículo para ir ao terreiro, no dia 25 de março de 2024, a líder religiosa Lúcia de Fátima Batista de Oliveira recebeu uma mensagem do motorista, que dizia: “Sangue de Cristo tem poder, quem vai é outro kkkkk tô fora”. O episódio foi registrado em boletim de ocorrência.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Registro da conversa da cliente com o motorista de aplicativo. (Reprodução/Redes sociais)

O parecer do juiz Adhemar de Paula Leite Ferreira Néto, do 2º Juizado Especial Cível de João Pessoa, que julgou a ação por danos morais aberta pelo Ministério Público de João Pessoa (MPPB), indeferiu a solicitação da Ialorixá. Na decisão, o magistrado atribuiu a intolerância à sua reação. 

Para Ferreira Néto, interpretar a mensagem do motorista como discriminação, em vez de uma manifestação da própria fé, é o que configura racismo religioso

“A autora, ao afirmar considerar ofensiva a ela a frase ‘Sangue de Cristo tem poder’, denota com tal afirmação que a intolerância religiosa vem dela própria. E não do motorista inicialmente selecionado pela ré para transportá-la”, diz trecho da sentença.

O MPPB abriu um procedimento, junto ao Instituto de Desenvolvimento Social e Cultural Omidewa, para apurar a decisão e enviará o caso para a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano