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Justiça condena mulher branca que agrediu entregadores negros com coleira no Rio

Sentença reconhece prática de racismo, injúria racial e lesão corporal motivadas por discriminação racial e social
A ex-atleta Sandra Mathias Correia de Sá, em 9 de abril de 2023.

A ex-atleta Sandra Mathias Correia de Sá, em 9 de abril de 2023.

— Reprodução / Redes Sociais

3 de julho de 2025

A Justiça do Rio de Janeiro condenou, na quarta-feira (2), a ex-jogadora de vôlei Sandra Mathias Correia de Sá pelos crimes de racismo, injúria racial e lesão corporal, após ataques cometidos contra dois entregadores na Zona Sul da cidade.

O caso ocorreu em 9 de abril de 2023, em São Conrado, quando a acusada agrediu Max Ângelo dos Santos e Viviane Maria de Souza. Além dos xingamentos, a mulher mordeu as vítimas e utilizou a coleira de seu cachorro para agredir ambas. A ocorrência foi registrada pelas testemunhas. 

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Emitida pela 40ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), a decisão prevê o cumprimento da pena em regime aberto, por se tratar de ré primária. A condenação fixou a pena de quatro anos de reclusão, quatro meses e 20 dias de detenção, além de trinta dias-multa.

Para o juiz Bruno Arthur Manfrenatti, responsável pelo parecer, o discurso da acusada expressa uma tentativa de afirmação de hierarquia social baseada na cor da pele, na classe e no território de origem das vítimas.

Observa-se dos autos que a ré proferiu contra a vítima Max os termos ‘preto de favela’, ‘favelado’, ‘lixo de favela’ e ‘marginal’, revelando muito mais do que insultos isolados, escancarando um mecanismo estrutural onde a cor da pele é automaticamente vinculada à pobreza e à exclusão social”, destaca Manfrenatti em trecho da sentença.

O TJRJ também reconheceu agravantes, como o motivo torpe, e negou a substituição da pena privativa por sanções alternativas. Além da condenação na esfera criminal, as vítimas ainda aguardam decisão em ação cível, que poderá determinar o pagamento de indenizações por danos morais.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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