PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Justiça suspende reintegração de posse e impede retirada de comunidade quilombola em GO

Decisão liminar impede a retirada da comunidade quilombola Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), até análise definitiva do caso
Imagem mostra uma cerca em área de mata.

Imagem mostra uma cerca em área de mata.

— Reprodução/Freepik

8 de agosto de 2025

A Justiça Federal suspendeu a reintegração de posse que ameaçava a comunidade quilombola Antinha de Baixo, na cidade de Santo Antônio do Descoberto (GO). A decisão foi emitida em caráter de urgência durante plantão judicial, a pedido da Defensoria Pública da União (DPU)

De acordo com a DPU, a liminar suspendeu os mandados de desocupação expedidos pela 1ª Vara Cível da Comarca local, que valerá até que o processo seja analisado pelo juiz natural da Justiça Federal da Subseção Judiciária de Anápolis (GO), que assumirá o caso. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A petição destaca que os mandados começaram a ser cumpridos na última segunda (4)e algumas casas já haviam sido demolidas. O quilombo, que ocupa a área há mais de um século, foi recentemente reconhecido como território tradicional pela Fundação Cultural Palmares.

Mariana Guimarães, defensora regional de direitos humanos em Goiás, aponta que a reintegração de posse ameaça comunidades em territórios de ocupação histórica, podendo resultar na perda de patrimônio, na violação de direitos constitucionais e no descumprimento de acordos internacionais.

“A permanência dos efeitos da desocupação/imissão de posse poderá causar prejuízos irreparáveis, conforme já mencionado, resultando na remoção forçada de famílias de terras tradicionalmente ocupadas e a destruição de seus bens arduamente conquistados, violando garantias constitucionais e desrespeitando tratados internacionais”, afirmou Guimarães, em nota da DPU. 

A decisão também considerou a recomendação emitida pela Comissão de Soluções Fundiárias, órgão vinculado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orientou a suspensão da desocupação até que fosse verificado o cumprimento de todos os requisitos legais relacionados às comunidades tradicionais. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano