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Manifesto pede preservação de vestígios de quilombo em estação de metrô no Bixiga

O documento destaca a relevância do território negro para a cidade de São Paulo e afirma ser viável a preservação dos vestígios do Quilombo do Saracura
As escavações já revelaram mais de 20 mil objetos e duas construções que fazem parte das primeiras fases de canalização do rio Saracura, iniciada há mais de 130 anos.

Foto: Reprodução/ Iphan

18 de junho de 2024

Um manifesto assinado por mais de 250 especialistas em arquitetura, urbanismo, engenharia, arqueologia, pesquisa e memória e patrimônio pede que a estação de metrô em construção no Bixiga, a “14 Bis-Saracura”, em São Paulo (SP), seja a primeira do Brasil a incorporar estruturas históricas encontradas em escavações arqueológicas.

As escavações já revelaram mais de 20 mil objetos e duas construções que fazem parte das primeiras fases de canalização do rio Saracura, iniciada há mais de 130 anos. Segundo os especialistas, é viável exibir esses achados na estação, como já foi feito em outros metrôs do mundo.

Recentemente, o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assinou um decreto alterando o nome da futura estação de metrô de “14 Bis” para “14 Bis-Saracura”, em parte em resposta às pressões do movimento Mobiliza Saracura Vai-Vai, que luta pela preservação da memória e da presença negra no bairro.

No entanto, o grupo entende que a inclusão de “Saracura” é apenas um passo e que o nome “Saracura/Vai-Vai” seria mais adequado, considerando a importância da escola de samba Vai-Vai na preservação do território e do legado do quilombo.

A mobilização continua na luta por uma série de demandas, incluindo a preservação dos achados arqueológicos, a garantia de um novo espaço para a agremiação no território e políticas de permanência contra a expulsão da população negra do bairro.

Já foram coletadas mais de 15 mil assinaturas em apoio ao pleito. O Mobiliza Saracura Vai-Vai, formado por moradores do Bixiga, sambistas, pesquisadores, ativistas e lideranças religiosas, atua desde junho de 2022 para discutir o impacto da obra da Linha 6-Laranja do metrô no local da quadra da escola de samba Vai-Vai.

  • Caroline Nunes

    Jornalista, pós-graduada em Linguística, com MBA em Comunicação e Marketing. Candomblecista, membro da diretoria de ONG que protege mulheres caiçaras, escreve sobre violência de gênero, religiões de matriz africana e comportamento.

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