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Manuscritos de Luiz Gama podem ser reconhecidos como patrimônio mundial

Acervo com 232 documentos do abolicionista inclui cartas de emancipação, registros de africanos ilegalmente traficados e artigos de imprensa
Imagem mostra busto de Luiz Gama, em homenagem em uma praça pública.

Imagem mostra busto de Luiz Gama, em homenagem em uma praça pública.

— Reprodução

18 de abril de 2026

A Unesco deve reconhecer nas próximas semanas os manuscritos históricos do abolicionista, advogado, escritor e jornalista Luiz Gama como parte do Patrimônio Documental da Humanidade. A decisão amplia o reconhecimento internacional do legado de uma das maiores figuras da luta contra a escravidão no Brasil.

Gama foi um abolicionista, advogado, escritor e jornalista negro. Ele dedicou a vida à defesa da liberdade de pessoas escravizadas. 

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O abolicionista usava brechas legais para provar que escravizados nascidos na África e sequestrados para o Brasil deveriam ser protegidos pela lei brasileira. Sua atuação jurídica resultou na libertação de pelo menos 500 pessoas.

Em maio de 2025, o acervo “Presença negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade” recebeu o reconhecimento da Unesco por meio do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe, dentro do Programa Memória do Mundo. 

Agora, com o endosso do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), pesquisadores pleiteiam sua inclusão como patrimônio mundial.

O conjunto de 232 documentos pertence ao Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP). Entre os materiais estão cartas de emancipação, registros de africanos ilegalmente traficados, documentos judiciais e artigos de Gama publicados na imprensa da época.

O acervo foi identificado, transcrito e divulgado pelo historiador e advogado  Bruno Rodrigues de Lima, pesquisador do Instituto Max Planck. Ele também é autor da coleção “Obras Completas de Luiz Gama”.

Leia mais: Acervo documental sobre Luiz Gama é certificado pela Unesco

Ampliação do reconhecimento internacional de Luiz Gama

O Instituto Luiz Gama, pioneiro na preservação e valorização da memória do abolicionista, divulgou nota sobre o reconhecimento. A entidade atua na difusão do legado de Gama e na promoção de iniciativas ligadas aos direitos humanos e à justiça racial.

“Os manuscritos de Luiz Gama devem ser reconhecidos pela Unesco como patrimônio documental mundial, ampliando o reconhecimento internacional do legado de um dos maiores nomes da luta contra a escravidão no Brasil”, afirma o instituto.

Parte desse material já havia sido incluso no programa Memória do Mundo da Unesco na América Latina e Caribe, destacando sua relevância histórica e cultural para a preservação da memória da população negra e da luta por liberdade no país.


Leia mais:Três obras recentes para celebrar 194 anos de Luiz Gama, maior abolicionista da história

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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