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Três obras recentes para celebrar 194 anos de Luiz Gama, maior abolicionista da história

Considerado o maior abolicionista da história, o advogado, escritor e jornalista nasceu em 21 de junho de 1830 na Bahia
Ilustração em plano fechado mostra o rosto de Luiz Gama.

Foto: Projeto Negro Muro

21 de junho de 2024

Este dia 21 de junho marca os 194 anos do nascimento de Luiz Gonzaga Pinto Gama, considerado o maior abolicionista da história. O advogado, escritor e jornalista nasceu em Salvador (BA) em 1830 e foi responsável pela libertação de mais de 500 pessoas escravizadas, feito que o tornou símbolo da luta contra a escravidão no Brasil.

Gama nasceu filho de Luiza Mahin, uma mulher negra africana da região da Costa da Mina que lutou pela liberdade dos escravizados na Bahia durante a Revolta dos Malês. Seu pai, por outro lado, era um homem branco e herdeiro de uma família rica de ascendência portuguesa, que o vendeu como escravo aos 10 anos.

Apesar de passar a infância, adolescência e a primeira juventude em cativeiro até conseguir as provas de sua liberdade, aos 18 anos, Luiz Gama foi resiliente o suficiente para atuar como advogado dos escravos e dos pobres.

Além de abolicionista, Luís Gama foi um defensor da república e se engajou tanto no movimento abolicionista quanto no movimento republicano. Enquanto jornalista, Luís Gama usava o espaço que possuía em jornais como o “Correio Paulista” para criticar a escravidão e defender a abolição do trabalho escravo. Também fundou diversos jornais, dentre eles o “Diabo Coxo”, “O Cabrião”, “Democracia” e “Radical Paulistano”. 

Luiz Gama não viveu para ver realizado seu sonho de um Brasil sem escravos. Morreu em 1882, apenas seis anos antes da abolição da escravidão em 1888. Gama é um intelectual que leu o Brasil e escreveu para o futuro.

No Brasil, duas legislações homenageiam o líder abolocionista. A Lei 13.628/2018, resultante do PLC 220/2015, inscreve o nome do abolicionista no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Já a Lei 13.629/2018, criada a partir do PLC 221/2015, declara Luiz Gama como Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. 

Obras para conhecer Luiz Gama

Como patrono da abolição da escravidão, Luiz Gama não viveu tempo suficiente para ver a Lei Áurea ser promulgada. O advogado morreu em 1882, apenas seis anos antes da abolição da escravidão em 1888. 

A sua trajetória, no entanto, ficou marcada em livros, filmes e quadrinhos, que retratam a importância de sua luta para a história brasileira. Confira:

  • Doutor Gama (2021):

O filme de Jeferson De (diretor do marcante “Bróder”, de 2010), conta a história de Luiz Gama a partir das três fases da vida do advogado: sua infância, adolescência e a fase adulta, já legislando em prol da libertação de pessoas escravizadas. A obra alcançou reações positivas de crítica e público e integrou o American Black Film Festival (ABFF), maior evento de cinema negro do mundo.

A trama apresenta um drama de tribunal no qual Gama defende José (Sidney Santiago), um escravo acusado de matar seu senhor. O branco em questão torturava e estuprava a esposa do réu. Priorizando a vida da mulher, José vinga-se do homem por tais monstruosidades cometidas. Assista aqui.

  • Província Negra (2020)

O abolicionista também ganhou uma história em quadrinhos com o lançamento de “Província Negra“, em 2020. A história é ambientada na São Paulo de 1869 e transporta os leitores para um momento em que a maior cidade do país tinha pouco mais de 40 mil habitantes, muita garoa e muita efervescência cultural. 

Com roteiro de Kaled Kanbour e artes por Kris Zullo, a obra mistura ficção e realidade, produzindo uma graphic novel policial que agrada aos interessados em história, política, direito e, principalmente, aos interessados em histórias em quadrinhos. Adquira aqui.

  • Luiz Gama (2022)

Uma versão infantojuvenil também foi idealizada pela Editora Mostarda para contar a história de Luiz Gama. O livro faz parte da Coleção Black Power, iniciativa foi idealizada para apresentar a biografia de grandes personalidades negras à nova geração.

A obra pontua que o líder abolicionista, teve a vida marcada pela luta contra o preconceito e apresenta recortes como quando foi impedido de cursar a faculdade de Direito devido à cor de sua pele. Mas, mesmo assim, ressalta que Gama assistiu às aulas como ouvinte e atuou sempre em favor da abolição. Compre aqui.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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