O instrumentista, regente e compositor José Roberto Branco, conhecido como Maestro Branco, morreu aos 87 anos na segunda-feira (15), em São Paulo. Considerado uma figura emblemática na música, o maestro deixa um legado musical como arranjador para orquestras e intérpretes brasileiros.
Reconhecido por sua trajetória, Branco foi citado entre os dez maiores arranjadores do Brasil, sendo o último deles a falecer.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Nascido na cidade de Pederneiras, no interior de São Paulo, José Roberto Branco era um homem negro que viveu até os oito anos em uma fazenda com os proprietários. Na cidade natal, iniciou seus estudos musicais, que foram aprofundados em São José do Rio Preto (SP), onde aprendeu teoria, solfejo e harmonia.
Ao chegar à capital paulista, estudou harmonia modal, composição, improvisação e jazz, com mestres como Cláudio Leal e H. J. Koellreutter. Sua obra refletiu o resultado de suas pesquisas sobre a música indígena, jesuíta, as raízes africanas e a influência europeia na música brasileira.
Legado na música nacional e trajetória profissional
Como arranjador e diretor musical, trabalhou com grandes nomes da música brasileira. Atuou ao lado do cantor Wilson Simonal na casa de shows “O Beco” e na TV Tupi, além de ter feito arranjos e participado de gravações com artistas como o cantor Jair Rodrigues, com quem viajou pelos Estados Unidos.
Em orquestras, conduziu importantes projetos, como o Festival dos Festivais pela TV Globo, o Festival da Música Popular Brasileira da TV Record e o projeto “Memória Brasileira – Arranjadores”, com concertos gravados ao vivo pela Rádio e TV Cultura.
Além de seu trabalho nas orquestras, criou e dirigiu a Banda Savana, com a quem lançou dois CDS, o “Brazilian Movements” em 1991 e “Brasilian Portraits” em 1993.
Ao longo da sua carreira como arranjador, dominou técnicas de escrita musical com excelência. Foi autor de arranjos desafiadores como o da música “Spain”, que “travou” a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) duas vezes. Também foi responsável pelas obras “Nanã”e “África/Nanã”.
Como homenagem à sua cidade natal, compôs os arranjos orquestrais do Hino de Pederneiras, apresentados pela primeira vez em 1991, durante as comemorações do centenário do município.
Contribuição na educação musical
Branco teve destaque na formação e desenvolvimento de jovens músicos. Foi compositor residente da Escola do Auditório, ensaiador da Orquestra Brasileira do Auditório (OBA) e professor de música no Conservatório de Música e Dança Villa-Lobos, em Osasco (SP). Também atuou como arte-educador no Projeto TIM, voltado para musicalização infantil, no Auditório Ibirapuera.
Ainda na educação, contribuiu para a estruturação do ensino de música não sinfônica em instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Faculdade Santa Marcelina e a EMESP Tom Jobim, além da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo.
Prefeitura de Perdeneiras lamenta morte do músico
A Prefeitura de Perdeneiras divulgou uma nota de pesar lamentou a morte do instrumentista e ressaltou o legado de sua trajetória como símbolo de talento, humildade e alegria.
“Seu legado de arte e educação seguirá inspirando as novas gerações. A Prefeitura de Pederneiras presta suas mais sinceras condolências à família, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conhecer a luz do Maestro Branco”, afirmou.
O comunicado relembra ainda um dos momentos mais marcantes da história cultural da cidade, como a apresentação do hino, com os arranjos assinados pelo maestro.
“Foi dele o talento e a sensibilidade nos arranjos para orquestra do nosso querido “Hino à Pederneiras”, uma obra que ecoa o orgulho e a identidade do nosso povo. Em 1991, nos Centenário de Pederneiras, sua Banda Savana apresentou pela primeira vez o Hino na Praça da Igreja Matriz de São Sebastião, um momento histórico que marcou gerações”, acrescentou.