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‘Motorista se benzeu’: passageiro impedido de entrar com esteira em ônibus denuncia racismo religioso

Vítima seguia para o trabalho quando teve embarque impedido por motorista na linha 6016-10 do Grajaú, na zona sul de São Paulo
Vítima carregava bolsa, mala e esteira para o trabalho.

Vítima carregava bolsa, mala e esteira para o trabalho.

— Reprodução/Arquivo Pessoal

24 de julho de 2025

Na manhã da terça-feira (22), o passageiro Caio Costa denunciou um caso de racismo religioso após ter sido impedido de embarcar em um ônibus da linha 6016-10 do Grajaú, na Zona Sul de São Paulo. Segundo a vítima, que conversou com a Alma Preta, o motivo foi por estar carregando uma esteira, objeto utilizado em práticas de religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda

O caso ocorreu às 5h30 da manhã, quando o passageiroque é negro seguia para o trabalho com uma mala, bolsa e a esteira. Segundo o relato, ao ver o artigo religioso, o motorista teria aberto e fechado a porta do veículo e em seguida fez um sinal da cruz. “O motorista fechou o ônibus porque quando me viu com a esteira se benzeu”, conta Caio.

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Morador de São Paulo há mais de seis anos, o jovem, natural da Bahia e adepto do candomblé, se diz revoltado com a situação. Ele afirma que costuma realizar o mesmo trajeto com frequência e acredita que o episódio também pode ter sido motivado por racismo, por ele ser um homem negro.

“Isso não é só sobre mim, é sobre toda uma comunidade, eu não sou a primeira pessoa e também não serei a última”, afirmou.

Segundo a vítima, após não conseguir entrar no ônibus, ele se dirigiu a estação mais próxima de  trem para chegar ao trabalho, onde foi acolhido por funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que o apoiaram a formalizar a denúncia coletando informações sobre a placa do ônibus.

Prefeitura e SPTrans se posicionam sobre o caso

Em nota enviada à Alma Preta, a Secretaria de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) de São Paulo e a SPTrans lamentaram o caso de discriminação e afirmaram que medidas estão sendo tomadas.

“Repudiamos veementemente casos de discriminação no transporte público. A concessionária responsável pela linha foi notificada do caso e tomará as medidas cabíveis”, declararam a SMT e a SPTrans. 

Os órgãos também destacam os canais de denúncia oferecidos pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Central 156, que pode ser acessada pelo telefone ou pelo site. Segundo a nota, “as informações fornecidas na denúncia poderão colaborar com as investigações conduzidas pelas autoridades policiais.”

A SPTrans informou ainda que realiza campanhas educativas sobre tolerância e respeito nos ônibus municipais. 

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  • Thayná Santana

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