Mulheres indígenas e com baixa escolaridade são os grupos com menor acesso ao pré-natal completo no Brasil. A conclusão é de um estudo publicado no International Journal for Equity in Health, que analisou dados de 2,5 milhões de nascidos vivos em 2023.
A pesquisa mostra que oito ou mais consultas de pré-natal, padrão internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS), não chegam igualmente a todas as brasileiras.
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Os dados revelam que apenas 37,8% das gestantes indígenas completaram oito ou mais consultas. Mulheres brancas atingiram 74,7% no mesmo indicador. Pretas e pardas ficaram em posição intermediária, com cobertura de 60,6% e 61,9%, respectivamente.
O estudo também mostra que, quanto maior o número de consultas exigido, mais as desigualdades raciais se acentuam.
O nível de instrução da gestante também influencia diretamente na conclusão do pré-natal. Entre mulheres sem nenhum ano de estudo formal, apenas 42,3% atingiram oito ou mais consultas.
Já entre aquelas com 12 anos ou mais de estudo, o percentual chegou a 76,8%. A diferença entre os dois grupos para o indicador mais rigoroso foi de 34,5 pontos percentuais.
A taxa de abandono do pré-natal também é maior entre mulheres com baixa escolaridade. Entre as sem instrução formal, 57,1 pontos percentuais separam a primeira da oitava consulta. Entre as mais escolarizadas, essa queda foi de 23,2 pontos percentuais.
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A Região Norte registrou a menor cobertura de oito ou mais consultas de pré-natal, com 50,8%. O índice contrasta com o Sul (74,8%) e o Sudeste (71,5%). O abandono do pré-natal no Norte chegou a 47,9 pontos percentuais, o dobro do registrado no Sul (23,5 pontos percentuais).
Jovens com menos de 20 anos também apresentaram desvantagem. Apenas 55,4% delas completaram oito consultas. Entre mulheres com 35 anos ou mais, o percentual chegou a 73,1%.
Efeito combinado de desigualdades
O estudo analisou ainda o impacto da intersecção entre diferentes fatores de vulnerabilidade. Mulheres indígenas sem escolaridade tiveram cobertura de oito consultas inferior a 12%.
Mulheres brancas com 12 anos ou mais de estudo alcançaram 80%. A pesquisa também mostra que, dentro do mesmo nível de escolaridade, mulheres brancas sempre superam negras, pardas e indígenas.
Os pesquisadores afirmam que a adoção de padrões mais rigorosos de pré-natal expõe vulnerabilidades antes não detectadas.
O Brasil investe em sistemas nacionais de informação em saúde desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), há mais de 30 anos. O Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) cobre mais de 99% dos nascimentos no país.