O Relatório de Cidadania Financeira 2025, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (13), mostra que as mulheres negras estão entre os grupos que mais recorrem ao crédito e são as que mais pagam as maiores taxas de juros no país.
É a primeira vez que o levantamento apresenta dados segmentados por gênero e raça. De acordo com o documento, baseado em dados de 2024, 62% das mulheres negras de baixa renda, inscritas no Cadastro Único, são tomadoras de empréstimos e enfrentam taxas médias de até 140% ao ano.
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O percentual é superior ao registrado entre mulheres brancas (128%), homens negros (110%) e homens brancos (97%).
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Apesar de apresentarem inclusão financeira quase universal, em que 97,8% têm acesso a contas bancárias ou de pagamento, os dados indicam fragilidade na qualidade desse acesso.
A pesquisa revela que as mulheres negras estão mais expostas a modalidades de crédito mais caras, como o rotativo e o parcelamento do cartão.
Enquanto a concentração das dívidas nessas modalidades representa cerca de 23% da carteira de crédito das mulheres negras, o microcrédito produtivo, voltado a pequenos empreendedores, responde por apenas 4%.
O Banco Central destaca que o grupo, principal usuário do microcrédito, é direcionado para linhas mais onerosas do sistema financeiro.
O relatório também ressalta que o endividamento de risco é mais frequente entre mulheres, atingindo 15,4% das tomadoras de crédito, em comparação a 12,1% dos homens.
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Além do risco, dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indicam que mulheres empreendedoras pagam, em média, taxas de juros cerca de quatro pontos percentuais maiores que os homens.
Entre os fatores responsáveis pelo fenômeno estão a percepção de maior risco por parte das instituições financeiras, a ausência de histórico de crédito formal e a menor disponibilidade de garantias.