O terceiro dia do Planejamento Estratégico do Coletivo Nacional de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), na quarta-feira (28), em Brasília, dedicou espaço central aos preparativos para o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas.
O evento está marcado para maio de 2026, na capital federal. A previsão é que mais de 500 mulheres de todas as regiões do país, além de convidadas nacionais e internacionais, se reúnam para debater justiça climática, democracia e reparação histórica.
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Os eixos centrais do encontro serão território, democracia e clima. O slogan escolhido é “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia: somos começo, meio e começo”. A frase é uma homenagem ao mestre e pensador quilombola Nêgo Bispo.
O III Encontro ocorrerá após o Aquilombar, atividade que celebrará os 30 anos da CONAQ. Representantes do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) participaram do diálogo e sinalizaram possível apoio institucional a ambos os eventos.
O planejamento também reservou um momento para debater as eleições de 2026. O objetivo é ampliar a participação política das mulheres quilombolas, com estratégias para o fortalecimento de candidaturas estaduais e federais vinculadas ao movimento.
Além do debate eleitoral, foram apresentadas as principais agendas nacionais e internacionais de incidência política da CONAQ. Segundo a advogada Dra. Vercilene Dias, do coletivo jurídico da organização, a atuação internacional tem foco especial nas pautas de justiça climática, violência e gênero.
Projeto Cafuné
A programação da reunião de planejamento incluiu a exibição do documentário e a apresentação da publicação do Projeto Cafuné. A iniciativa é um dos principais esforços da CONAQ voltados à proteção de mulheres quilombolas em situação de risco.
A atividade foi conduzida por Nathália Purificação, coordenadora do Coletivo de Comunicação da CONAQ. O projeto resulta de oficinas regionais com lideranças de diferentes partes do país e propõe a construção de um Plano Emergencial de Proteção e Autocuidado de Mulheres Quilombolas. O plano se baseia em escuta e escrita coletiva.
A iniciativa defende a criação de mecanismos de proteção mais humanizados. Estes mecanismos devem considerar não apenas a segurança física, mas também a saúde emocional e espiritual das defensoras de direitos. O documentário Cafuné terá lançamento oficial em breve, e a publicação deve ser lançada durante o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas.