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ONU e União Africana denunciam uso da fome como arma de guerra e pedem apoio internacional

Durante cúpula sobre sistemas alimentares, líderes destacam que mais de 280 milhões de africanos enfrentam desnutrição e pedem cumprimento de compromissos de financiamento
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, na 2ª Conferência da ONU sobre Sistemas Alimentares (UNFSS+4), co-organizada pela Etiópia e pela Itália, em Adis Abeba, em 28 de julho de 2025.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, na 2ª Conferência da ONU sobre Sistemas Alimentares (UNFSS+4), co-organizada pela Etiópia e pela Itália, em Adis Abeba, em 28 de julho de 2025.

— Solan Kolli/AFP

28 de julho de 2025

“A fome não pode ser usada como arma de guerra”. A declaração do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, nesta segunda-feira (28), marcou a abertura da Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares (UNFSS), realizada em Adis Abeba, Etiópia. Guterres participou do evento por videoconferência e ressaltou a urgência da crise alimentar que atinge a África, onde 280 milhões de pessoas estão desnutridas.

“Os conflitos continuam a espalhar a fome, de Gaza ao Sudão e além”, alertou Guterres. Segundo ele, as mudanças climáticas estão comprometendo colheitas, cadeias de suprimento e operações humanitárias. No caso específico de Gaza, ele citou níveis “alarmantes” de desnutrição causados pelo bloqueio imposto desde março.

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Mais de 100 organizações não governamentais também alertaram sobre o risco de fome em massa no território palestino ocupado, mesmo após a retomada limitada da entrada de ajuda humanitária em maio.

Apelo da União Africana por apoio internacional

Durante a cúpula, o presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahamoud Ali Youssouf, pediu que os parceiros internacionais cumpram seus compromissos de financiamento. Em sua fala, ele destacou que os “choques climáticos, conflitos e perturbações econômicas” são os principais fatores que ampliam a insegurança alimentar no continente.

Segundo Youssouf, além dos 280 milhões de africanos desnutridos, cerca de 3,4 milhões estão à beira da fome e 10 milhões foram deslocados por eventos climáticos extremos como secas, enchentes e ciclones. Ele defendeu que os Estados-membros da UA dediquem 10% do Produto Interno Bruto (PIB) à agricultura para promover a “resiliência nutricional”. Ainda assim, afirmou que o continente não conseguirá enfrentar a crise sozinho.

“Apelamos aos nossos parceiros para que cumpram com seus compromissos de financiar e apoiar as soluções africanas”, declarou o líder da UA.

A realização da cúpula sobre sistemas alimentares ocorre em meio a cortes na ajuda internacional, especialmente por parte de países ocidentais. Um dos impactos mais citados foi o desmonte da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), iniciado pelo governo do presidente Donald Trump. A decisão comprometeu a manutenção de programas humanitários em várias regiões.


O diretor regional da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Othman Belbeisi, chamou a atenção para a situação no Sudão, onde o conflito entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido já matou dezenas de milhares de pessoas e deslocou mais de sete milhões desde abril de 2023. Ele classificou o Sudão como “a maior catástrofe humanitária do mundo atualmente e também a menos lembrada“.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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