O Banco Mundial divulgou uma análise sobre a insegurança alimentar na África e destacou que apenas quatro alimentos – mandioca, milho, arroz e trigo – representam 45% da ingestão calórica da população. Parte significativa desses produtos é importada de outras regiões, como Europa e Ásia do Sul, o que torna o continente dependente de cadeias de abastecimento externas.
Em 2022, mais de seis em cada dez africanos enfrentavam insegurança alimentar moderada ou grave. Essa vulnerabilidade se agrava diante de choques climáticos, conflitos armados e falhas estruturais no transporte e armazenamento de alimentos.
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A infraestrutura portuária é apontada como ponto crítico. Os portos africanos movimentam 14% de todos os alimentos importados e comercializados no continente. Nos países sem saída para o mar, esse índice chega a 22%, enquanto nos de menor rendimento alcança 37%.
Apesar da relevância, os portos enfrentam problemas como congestionamentos, equipamentos defasados e gestão logística obsoleta. O resultado são atrasos que estendem a jornada média dos alimentos para cerca de 4 mil quilômetros em 23 dias — quatro vezes mais do que na Europa.
Segundo o relatório, essa demora eleva custos, reduz a qualidade dos produtos e dificulta o acesso da população a alimentos a preços acessíveis.
Perdas e desperdício
As deficiências na infraestrutura, aliadas a estradas em más condições, processos fronteiriços complexos e falta de instalações de armazenamento, resultam em elevados índices de desperdício. Estima-se que 20% dos cereais, 25% do arroz e do milho e até 40% das frutas e legumes se percam na África Subsaariana.
Entre 2010 e 2022, a quantidade de mandioca, milho, arroz e trigo desperdiçada passou de 22,5 milhões de toneladas para 33,8 milhões de toneladas — o equivalente a 30% das importações desses alimentos.
O Banco Mundial defende melhorias em infraestrutura, logística e regulamentação nos principais dez portos marítimos do continente, que movimentam o equivalente a 78 bilhões de quilocalorias por ano.
Especialistas destacam que o armazenamento adequado pode reduzir significativamente as perdas, garantir fornecimento constante e evitar escassez que amplifique a insegurança alimentar. Além disso, melhores sistemas de transporte aumentariam a eficiência, permitindo que agricultores levassem sua produção ao mercado e consumidores tivessem acesso a alimentos com preços mais estáveis.