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Na Bahia, 74% dos jovens negros de 15 a 17 anos se dedicam exclusivamente aos estudos, aponta boletim

Boletim mostra redução populacional, vulnerabilidade no mercado de trabalho e melhora significativa na dedicação aos estudos entre 2013 e 2023
Participantes da abertura do Encontro do Trabalho Decente e Combate ao Racismo, em 24 de novembro de 2025.

Participantes da abertura do Encontro do Trabalho Decente e Combate ao Racismo, em 24 de novembro de 2025.

— Erlon Souza/Sepromi

29 de novembro de 2025

Nos últimos dez anos, a situação da juventude negra na Bahia foi marcada por desigualdades que persistem no trabalho e na educação, porém a permanência escolar registrou avanços expressivos. É o que aponta o boletim “Para pensar o futuro: Juventude Negra e Mercado de Trabalho na Bahia”, apresentado na segunda-feira (24) durante a abertura do Encontro do Trabalho Decente e Combate ao Racismo. 

O estudo traça um panorama atualizado sobre a situação da juventude negra no estado entre 2013 e 2023 e integra as ações do Observatório do Trabalho da Bahia, em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A apresentação foi conduzida pela técnica do Dieese, Ludmila Giuli.

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Segundo o boletim, baseado em dados anuais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC/IBGE), houve redução significativa no número de jovens negros de 15 a 29 anos na Bahia: eles representavam 35,4% da população em idade de trabalhar em 2013, percentual que caiu para 29,4% em 2023.  Entre os jovens não negros, a queda foi de 30,9% para 26,8% no mesmo período. 

A redução foi ainda maior entre adolescentes negros de 15 e 17 anos, diminuindo 14,7%, enquanto a de jovens não negros cresceu 21,7%.

Jovens trabalhando ou buscando emprego

Já a taxa de participação, que mede quantos jovens estão trabalhando ou buscando emprego, caiu durante a pandemia, atingindo 52,2%, mas voltou a crescer em 2022, alcançando 64,2%, o maior valor até o momento. Em 2023, houve nova queda, para 61,2%, índice maior entre jovens não negros e também superior ao registrado pela população com 30 anos ou mais.

O boletim destaca que, em períodos de crise econômica, os jovens não negros conseguem permanecer mais tempo fora do mercado de trabalho, apoiados por maior suporte financeiro familiar. Já os jovens negros, são pressionados a ingressar ou retornar mais cedo no trabalho.

Permanência escolar

Apesar disso, o estudo apresenta avanços expressivos na permanência escolar entre adolescentes e jovens negros de 15 a 17 anos. Em 2013, 63,8% estavam dedicados exclusivamente aos estudos; em 2023, o percentual subiu para 74,3%.

Entre os não negros, a proporção passou de 62% para 64%, acompanhando o crescimento do grupo em termos absolutos. Enquanto isso, o contingente de jovens que não estudavam nem trabalhavam registrou queda relevante: 56,9% entre negros e 20,3% entre não negros.

De acordo com a pesquisa, esses resultados estão diretamente ligados a políticas de permanência escolar, como o Bolsa Presença, do governo da Bahia, e o Pé-de-Meia, do governo federal, além de ações de combate ao trabalho infantil e programas de transferência de renda.

No entanto, o boletim observa que parte dessas mudanças pode estar relacionada à redução da própria população negra de 15 a 17 anos, que diminuiu 14,1% no período, enquanto o número de jovens não negros cresceu 21,3%. A alteração demográfica exige novos estudos sobre seus impactos, especialmente nas comunidades periféricas.

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  • Thayná Santana

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