As instituições de ensino de Salvador não poderão mais obrigar pessoas com cabelos crespos e volumosos a utilizar o capelo tradicional, acessório usado por formandos nas cerimônias de colação de grau. É o que prevê a nova lei nº 9836/2025, sancionada pela prefeitura da capital baiana.
Além do fim da obrigatoriedade do capelo tradicional, a legislação determina que as unidades de ensino deverão garantir a oferta de outros modelos da peça indumentária.
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A lei, de autoria da vereadora Marta Rodrigues (PT), também estabelece que a oferta, a distribuição e o aluguel de capelos para cabelos crespos e volumosos sejam assegurados pelas entidades organizadoras da solenidade.
Entre os modelos, estão o capelo durag, o capelo turbante, o capelo tiara e o capelo pente garfo, peças adaptadas para quem usa dreads, tranças e penteados volumosos.
O projeto foi inspirado nos modelos de capelos inclusivos para cabelos afro, lançados em abril de 2024 pela grife soteropolitana Dendezeiro (DDZ), em parceria com a empresa de cosméticos Vult e a marca Agenero.
À época, a campanha contou com a produção de mil unidades para serem utilizadas nas formaturas das instituições Zumbi dos Palmares e Universidade Federal do Sul da Bahia.
Em nota nas redes sociais, a DDZ, desenvolvedora dos modelos, celebrou a conquista coletiva e destacou que “a inclusão não é um debate – é um compromisso”.
“Durante anos, cabelos crespos, cacheados, trançados e turbantes foram invisibilizados por padrões excludentes. Nosso agradecimento à vereadora Marta Rodrigues, cuja atuação foi essencial para que essa mudança acontecesse. Ao time da GUT e Vult, por idealizarem esse projeto”.
“Com a aprovação da Lei Municipal 9843/2025, Salvador avança para garantir que estudantes da rede municipal possam usar um capelo que respeite quem são”, declarou a empresa.