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Novo Plano Nacional de Educação: o que muda se for aprovado?

Projeto aprovado na Comissão de Educação do Senado estabelece metas para os próximos dez anos com foco em qualidade, equidade e ampliação da jornada integral
Sala de aula vazia.

Sala de aula vazia.

— Rovena Rosa/Agência Brasil

25 de março de 2026

O Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036, aprovado pela Comissão de Educação do Senado nesta quarta-feira (25), estabelece as diretrizes para a educação brasileira na próxima década. 

Com 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias, o texto define o que os governos federal, estaduais e municipais devem fazer para melhorar o ensino, desde a educação infantil até a pós-graduação.

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Originário do PL 2.614/2024, do Poder Executivo, o plano organiza-se em três pilares: acesso, qualidade e equidade. A proposta avança em relação ao PNE anterior ao incorporar monitoramento das metas a cada dois anos, planos bienais de ações educacionais e uma estrutura de governança com instâncias permanentes de negociação entre União, estados e municípios.

O novo PNE estabelece metas específicas para a primeira infância. O plano prevê a ampliação do atendimento em creches para 60% das crianças de até três anos, com percentuais específicos de 50% para populações indígenas, do campo e quilombola, além da universalização da pré-escola para crianças de quatro e cinco anos.

Na alfabetização, a meta é garantir que 80% das crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, chegando a 100% ao final da vigência do plano. 

O texto também prevê que 95% dos alunos concluam o 9º ano na idade certa e que pelo menos 90% atinjam nível adequado de aprendizagem nos anos iniciais.

Leia mais: Câmara aprova novo Plano Nacional de Educação com eixo antirracista

Ensino integral e ensino médio

A proposta trata a educação integral como um conceito amplo, que vai além do aumento do tempo de permanência na escola. A jornada integral, com mínimo de 7 horas diárias ou 35 horas semanais, preferencialmente em um único turno, deverá alcançar 65% das escolas públicas e atender metade dos estudantes da educação básica até 2036.

Em infraestrutura, o plano prevê a universalização da internet de alta velocidade e do conforto térmico em todas as escolas públicas. A meta é garantir que 50% das escolas tenham conexão de alta velocidade, chegando a 75% ao longo da década.

Uma das metas centrais do novo PNE é a expansão do ensino técnico. O texto prevê que 50% das novas matrículas no ensino médio deverão ser integradas ao ensino técnico, sendo metade na rede pública. O plano também estabelece a erradicação do analfabetismo na população com 15 anos ou mais.

O plano mantém o compromisso com a expansão do acesso, mas introduz um enfoque mais equilibrado entre entrada, permanência e conclusão dos cursos. A meta é levar 40% dos jovens de 18 a 24 anos à graduação. Na pós-graduação, o objetivo é formar 60 mestres e 20 doutores por 100 mil habitantes anualmente, de forma equitativa e inclusiva.

Leia mais: Brasil pode levar mais de 15 anos para alcançar equidade racial no ensino médio

Valorização, equidade e inclusão

O texto prevê medidas para reduzir a precarização do trabalho docente, limitando a 30% o percentual de professores sem cargo efetivo por rede de ensino. A seleção de diretores deverá ocorrer por mérito, desempenho e consulta à comunidade.

Em financiamento, o novo PNE propõe um aumento gradual do investimento público em educação, começando em 7% do PIB até o sexto ano de vigência e chegando a 10% ao final de dez anos. 

O texto também destaca o Custo Aluno-Qualidade (CAQ) como referência para garantir um padrão mínimo de investimento por estudante.

O plano incorpora objetivos específicos para modalidades de educação escolar indígena, do campo e quilombola, além de metas para educação especial e educação bilíngue de surdos. 

A equidade passa a ser um eixo central do plano, com acompanhamento por indicadores que consideram diferenças de raça, renda e território.

Aprovado na Comissão de Educação, o texto segue para análise no Plenário do Senado. Estados e municípios terão prazo para aprovar seus próprios planos de educação alinhados às diretrizes nacionais. 

O primeiro relatório de monitoramento das metas deverá ser divulgado pelo Inep em até 18 meses após a sanção da lei.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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