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O que se sabe sobre a operação que prendeu MC Ryan SP e Poze do Rodo

Investigação da PF aponta que cantor liderou esquema de lavagem de R$ 1,6 bilhão com ajuda de influenciadores; organização usava shows, bets e rifas digitais para ocultar dinheiro do tráfico
Os cantores de funk Mc Poze do Rodo (à esquerda) e Mc Ryan (à direita).

Os cantores de funk Mc Poze do Rodo (à esquerda) e Mc Ryan (à direita).

— Reprodução/Redes Sociais

16 de abril de 2026

A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quarta-feira (15) a Operação Narco Fluxo para desarticular uma organização criminosa responsável por movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em valores ilícitos desde 2023. Parte desse valor teria origem no tráfico, além de práticas como estelionato digital, apostas ilegais e rifas virtuais.

A ação ocorreu em nove estados e no Distrito Federal, com cumprimento de mandados expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos.

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Entre os presos estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores como Raphael Sousa Oliveira e Chrys Dias. A prisão de Ryan ocorreu em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga. 

A operação cumpre 39 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão. Parte dos investigados segue foragida ou fora do país. As autoridades também determinaram bloqueio de bens e restrições sobre empresas ligadas aos alvos.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Narco Fluxo é desdobramento de investigações sobre tráfico internacional de drogas. As apurações iniciais identificaram envio de entorpecentes à Europa por meio de embarcações de pequeno porte.

A partir desse núcleo, os investigadores mapearam a estrutura financeira do grupo. A organização utilizava empresas de fachada, contas de passagem e estruturas empresariais aparentemente regulares para dissimular a origem dos recursos. 

Foram identificadas práticas típicas de lavagem, como fracionamento de operações financeiras, triangulações comerciais e mescla de valores ilícitos com receitas formalmente declaradas.

Leia mais: Polícia combate facções de forma desigual na Faria Lima e nas favelas e fracassa em deter crime organizado

Ryan Santana dos Santos liderava estrutura

Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, foi identificado pela investigação como líder e principal beneficiário econômico do esquema. A organização utilizava empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos oriundos de apostas ilegais, rifas digitais e tráfico de drogas.

O dinheiro ilícito, que vinha do tráfico, bets e rifas ilegais, era “limpo” ao ser pago a esses artistas como se fosse por publicidade regular. Os valores permitiam a aquisição de patrimônio de luxo, como Porsche e BMW, joias e imóveis. A ostentação na internet funcionava como vitrine para atrair novos apostadores às plataformas ilegais.

Para dificultar o rastreamento, o grupo utilizava processadoras de pagamento legalmente constituídas, realizava centenas de transferências fracionadas (técnica conhecida como “smurfing”) e recorria a “laranjas” e empresas de fachada. No exterior, a organização usava criptoativos, especialmente a moeda digital USDT (Tether), para remessas internacionais e ocultação de patrimônio.

A investigação detectou indícios de conexão da estrutura financeira com crimes como tráfico de drogas, estelionato digital e exploração de jogos de azar ilegais. 

O grupo foi descoberto a partir de apurações sobre uma rede de tráfico internacional que utilizava embarcações de pequeno porte para exportar entorpecentes à Europa, alvo da Operação Narco Vela, realizada há um ano.

Leia mais: Nath Finanças lança série sobre apostas e glamourização do luxo nas redes

Papel da página Choquei

Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, atuava como operador de mídia da organização. Segundo a investigação, ele recebia altos valores diretamente para divulgar conteúdos favoráveis aos artistas e promover plataformas de apostas e rifas. 

Sua função também incluía, potencialmente, a mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações.

Os advogados de Raphael Sousa Oliveira informaram que seu vínculo com os fatos decorre exclusivamente da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa. 

“Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.”

A defesa de MC Ryan SP afirmou não ter tido acesso ao procedimento sigiloso. “Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada.”

A defesa de MC Poze do Rodo declarou desconhecer os autos do mandado de prisão. “Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos.”

Os suspeitos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O processo segue sob sigilo na Justiça Federal.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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