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Cláudio Castro deixa governo do RJ com gestão marcada pelas chacinas mais letais do estado

Governador renunciou após comandar o estado desde agosto de 2020; em seu período no cargo, o estado registrou as três chacinas mais letais da história
Um manifestante usando uma máscara representando o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mostra as mãos pintadas de vermelho durante um protesto em São Paulo, Brasil, em 31 de outubro de 2025, para exigir justiça para as vítimas de uma grande operação policial que deixou 121 mortos.

Um manifestante usando uma máscara representando o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mostra as mãos pintadas de vermelho durante um protesto em São Paulo, Brasil, em 31 de outubro de 2025, para exigir justiça para as vítimas de uma grande operação policial que deixou 121 mortos.

— Nelson Almeida/AFP

24 de março de 2026

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), renunciou ao mandato nesta segunda-feira (23), um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que poderia levar à perda do cargo e à sua inelegibilidade. A renúncia veio horas antes do prazo final de 4 de abril, estipulado pela legislação eleitoral para quem pretende concorrer a outro cargo.

Durante o pronunciamento, no Palácio Guanabara, Castro afirmou que pretende disputar uma vaga no Senado. Pela legislação eleitoral, ele teria até o início de abril para deixar o cargo caso mantivesse a candidatura. Interlocutores apontam que a saída antecipada busca reduzir os efeitos do julgamento no tribunal eleitoral.

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Com a renúncia, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizará eleição indireta para definir quem governará o estado até o final de 2026. Até a escolha, o comando do Executivo estadual ficará com o presidente do Tribunal de Justiça do estado, Ricardo Couto de Castro.

As três chacinas mais letais da história

Castro assumiu o governo do Rio de Janeiro em agosto de 2020, após o afastamento do então governador Wilson Witzel (DC), alvo de impeachment que defendia “mirar na cabecinha” de criminosos. 

Nos cinco anos de gestão, o estado registrou 1.846 mortes em operações policiais, segundo levantamento do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF). Entre setembro de 2020 e outubro de 2025, foram 8.035 ações do tipo.

Corpos resgatados por familiares na “Operação Conteção”. 29 de outubro de 2025. Rio de Janeiro. Foto: Augusta Lunardi/Alma Preta

As três operações policiais mais letais do Rio de Janeiro desde 2007 ocorreram durante a gestão de Castro. A mais recente, batizada de Operação Contenção, foi deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão contra o Comando Vermelho (CV). 

A ação deixou 122 mortos, segundo dados da Polícia Civil e da Defensoria Pública, sendo considerada a chacina mais letal da história do estado e do Brasil. O número superou os recordes anteriores de Jacarezinho (2021) e Vila Cruzeiro (2022). 

Em coletiva após a ação, o governador afirmou que as únicas vítimas foram quatro policiais mortos, ignorando os mais de 100 civis mortos.

Menos de um ano após Castro assumir, o Rio registrou a operação que, até então, era a mais letal da história do Estado. A chacina realizada no Jacarezinho, em maio de 2021, deixou 28 mortos, sendo 27 civis e um policial. Segundo laudos do Instituto Médico Legal (IML), quatro vítimas foram baleadas pelas costas. 

Um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que, das 27 pessoas mortas, 24 não tinham mandado de prisão nem processos criminais no Tribunal de Justiça do Rio. A Polícia Civil alegou, à época, que a ação se baseou em dez meses de investigação e informações de inteligência. Dos 21 alvos efetivos da operação que não foram mortos ou presos, 15 não foram encontrados.

Um ano depois, em maio de 2022, a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, foi alvo de nova operação, com 23 mortos. Nenhum policial estava entre as vítimas. Entre os mortos, 11 não tinham processo criminal. A ação reuniu o Bope, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, com uso de blindados e helicópteros. 

O objetivo, segundo as autoridades, era capturar líderes do Comando Vermelho escondidos na comunidade. Menos de três meses antes, outra operação no mesmo local, em 11 de fevereiro, havia deixado oito mortos, também sem prisões.

Além das três operações já mencionadas, estão no currículo de Castro a operação em Itaguaí, que terminou com 12 mortos em outubro de 2020; a incursão no Complexo do Alemão, que resultou em 17 mortes, incluindo a de um policial, em julho de 2022; e a operação em São Gonçalo e Salgueiro, que deixou 13 mortos em março de 2023.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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