O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou a plataforma Mulher Segura, um sistema que reúne dados sobre violência contra mulheres e busca orientar ações de prevenção e resposta institucional.
A ferramenta integra o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e centraliza informações de diferentes bases para identificar padrões e apoiar decisões no enfrentamento desse tipo de crime.
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Os dados mais recentes indicam que o Brasil registrou 1.561 vítimas de feminicídio em 2025. Entre os casos analisados, 28,4% ocorreram dentro da residência da vítima, o que aponta para a centralidade da violência doméstica nesses episódios.
As informações reunidas pela plataforma mostram que o feminicídio costuma ser precedido por uma sequência de violências. Em muitos casos, há registros anteriores de agressões, ameaças e descumprimento de medidas protetivas.
Um dos episódios analisados ilustra esse padrão. Uma mulher de 32 anos procurou autoridades 19 vezes ao longo de quase seis anos. Em 15 dessas ocasiões, as denúncias foram classificadas como violência doméstica. A sequência de registros começou em 2019, com lesão corporal, e seguiu com episódios frequentes de agressões. Em 2025, a vítima foi assassinada após esse histórico.
“Um dos principais desafios identificados é garantir que a busca por ajuda resulte, de fato, em proteção”, destaca o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.
A proposta, segundo ele, é mudar esse cenário e assegurar que a mulher que busca ajuda seja efetivamente atendida pelo sistema de justiça e pelos demais serviços envolvidos, incluindo saúde, assistência social e educação.
Leia mais: Manual padroniza coleta de dados sobre feminicídios no Brasil
Perfil das vítimas e contexto dos crimes
A análise dos dados revela que a idade média das vítimas de feminicídio é de 36,8 anos. As faixas de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos concentram a maior parte dos casos.
No recorte racial, mulheres pardas representam 44,6% das vítimas, seguidas por mulheres brancas, com 29%, e mulheres pretas, com 6,7%. Os dados indicam impacto mais intenso sobre mulheres negras quando considerado o conjunto de pretas e pardas.
A residência aparece como principal local de ocorrência, seguida pela via pública. Em relação aos meios utilizados, predominam arma branca ou objetos.
Os registros também mostram concentração temporal aos domingos e no mês de dezembro. No vínculo entre vítima e agressor, o companheiro aparece como principal autor. Em 30,8% dos casos, as vítimas já tinham registros anteriores contra o agressor.
Entre os antecedentes mais comuns estão ameaças, lesões corporais, injúria, vias de fato e descumprimento de medidas protetivas. Esse conjunto reforça a existência de uma trajetória de violência antes do feminicídio.
Leia mais: Falta de dados raciais impede políticas eficazes de combate à violência de gênero
Integração de dados e monitoramento
A plataforma promove a articulação de dados provenientes dos sistemas estaduais de segurança pública, como o Validador de Dados Estatísticos (VDE), o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e a Base Nacional de Boletins de Ocorrência.
A integração amplia a capacidade de identificar situações de risco e permite direcionar ações para casos com maior grau de vulnerabilidade.
A ferramenta também pretende fortalecer a articulação entre áreas como segurança pública, saúde, assistência social e educação. A análise contínua dos dados possibilita intervenções com base em evidências e aprimora o monitoramento dos casos.
Além do uso interno, parte das informações será disponibilizada ao público, o que amplia a transparência e o acesso a dados sobre violência de gênero.