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Podcast aborda impacto da crise climática nas periferias do ABC Paulista

Podcast, que estreia em dezembro, trará assuntos sobre mudanças climáticas e o protagonismo de iniciativas nas periferias e comunidades tradicionais
Elson Mirim, Gláucia Adriani e Fabiana Lima.

Elson Mirim, Gláucia Adriani e Fabiana Lima.

— Divulgação/Karina Morais

30 de novembro de 2025

Estreia em 6 de dezembro, o podcast “Na Minha Quebrada”, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2024, idealizado pela jornalista e produtora cultural Fabiana Lima, que atua há mais de dez anos pautando as periferias e sua diversidade. O podcast busca revelar a pluralidade das narrativas vindas das quebradas e comunidades tradicionais do grande ABC Paulista.

Nesta primeira etapa, os episódios mergulham nos impactos das mudanças climáticas na vida de quem mora nas periferias ou em comunidades tradicionais.

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Suane Brazão, quilombola do estado do Amapá; Bátia Jello, sacerdotisa do culto candomblé e Jurema; e Elson Mirim, da etnia Guarani Mbyá, estão entre os convidados que compartilharão histórias de seus territórios, saberes sobre justiça ambiental, medicinas da floresta, a importância dos povos tradicionais para a preservação do meio ambiente e iniciativas sustentáveis nas periferias.

As comunidades tradicionais e as periferias são as que mais sofrem com o impacto da crise climática, como as fortes chuvas, que provocam deslizamento em comunidades com moradias irregulares, secas, insegurança alimentar, racismo ambiental. Mesmo neste cenário, elas têm sido protagonistas quando o assunto é o enfrentamento.

Para Fabiana, o ponto central desse podcast é a possibilidade de aprendizado pela troca de experiência com as pessoas que moram nas periferias e comunidades tradicionais, pois, em sua maioria, são nesses costumes que abrigam essencialmente a solução.

“As periferias têm muitos nordestinos que vieram do campo e retomaram a prática de plantio, as comunidades de terreiro preservam e cultivam plantas tradicionais, que também são de uso medicinal, o próprio modo como as comunidades tradicionais vivem é autossustentável”, aponta.

A jornalista é favorável a novas tecnologias, mas defende a preservação das práticas ancestrais. “Sou a favor da ciência, das inovações tecnológicas que estejam em consonância com nossas tecnologias ancestrais, além de não colocarem em risco os biomas naturais.”

A periferia pelo olhar de quem é morador

Moradora da periferia do Jardim Santo André, em Santo André, Fabiana relata que a mídia tradicional focou excessivamente na cobertura da criminalidade, criando imagem estereotipada sobre a favela e o morador.

“A mídia enfatiza que a periferia é um lugar carente e violento, e não nossas potências. Apesar desse estigma, estamos sempre inovando, inclusive em ações frente à crise ambiental. A ideia não é romantizar, mas nossa carência está na ausência de políticas públicas”.

A comunicadora acredita “que o papel das mídias alternativas – que é o caso desse projeto – está, em parte, desfazer esses imaginários, promovendo diversidade no jornalismo”. 

A 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que foi realizada em Belém (PA), foi fundamental para elevar à instância global pautas ignoradas, mas Fabiana enxerga muito potencial nas pequenas iniciativas de pessoas e grupos autônomos.

“Há um grande potencial nas iniciativas que protagonizamos, falar de solução globalmente, onde todas as nações assumam compromissos, é essencial, por isso a COP 30 tem essa importância, porém, dar visibilidade ao que fazemos é tão importante quanto, afim de criar vínculos e estratégias entre os nossos, pois uma comunidade pode ser referência para a outra comunidade.”, pontua.

Os episódios serão publicados no canal do podcast no YouTube e as prévias na rede social.

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