A história, a organização social e o legado do Quilombo dos Palmares são tema central do podcast “Vida Palmarina”, que estreia em 6 de abril nas principais plataformas de áudio do Brasil. A série documental, composta por cinco episódios, propõe revisitar Palmares como uma sociedade complexa, formada por diferentes povos africanos e indígenas, com organização política, econômica e cultural própria.
A iniciativa nasce para documentar e difundir a história do quilombo a partir de vozes negras e pesquisas históricas. O programa reúne entrevistas com historiadores, pesquisadores e lideranças quilombolas, bem como áudios de intelectuais fundamentais para a compreensão da história negra, como Lélia Gonzalez.
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Em entrevista à Alma Preta, a idealizadora e apresentadora, Tatiana Nascimento, pesquisadora e produtora cultural, reforça a importância de resgatar a memória de figuras centrais para Palmares, presentes na série, como Aqualtune, considerada fundadora do quilombo; Ganga Zumba, responsável pela consolidação política do território; e Zumbi, símbolo da resistência contra a escravidão.
“O Quilombo dos Palmares foi grande, longo e possível porque foi coletivo e trazer outros nomes para que sejam conhecidos e sabidos – especialmente de mulheres – é fundamental para descentralizar o poder, a figura e a narrativa”, afirma.
Ao longo dos cinco episódios, com duração média de 30 minutos, a série conduz o ouvinte pela formação do quilombo e por suas estruturas políticas e econômicas.
Ao mesmo tempo, discute aspectos em que Palmares esteve à frente de seu tempo, como a relação com o meio ambiente, e destaca o papel das mulheres na liderança do território.
“A fala da Mariléa Almeida, no episódio 3, ajuda a entender esse processo: as mulheres foram intencionalmente apagadas da história pelo colonizador – especialmente pelo não registro, até porque para esse colonizador as mulheres eram seres de segunda classe e não mereciam fazer parte da história”, explica Tatiana.
“Elas começam a aparecer a partir da memória, da oralidade e trazer essa perspectiva faz com que a gente possa ampliar aquilo que foi vivido nos séculos 16 e 17”, acrescenta.
Além da pesquisadora Mariléa de Almeida, o podcast recebe os historiadores Danilo Marques e Zezito Araújo, o agricultor e ativista Joelson Ferreira e os jornalistas Marina Lourenço e Tayguara Ribeiro.
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Assim, a narrativa busca ampliar a compreensão sobre Palmares para além da imagem tradicional de refúgio de pessoas escravizadas. Para a idealizadora, o projeto também contribui para democratizar informações que ainda permanecem restritas a pequenos grupos ligados ao meio acadêmico.
“No episódio 2, Zezito Araújo, um griô que foi professor da Universidade de Alagoas por quase 30 anos, fala que precisamos, a partir da história de Palmares, criar arte e usar o espaço das redes sociais para contar um pouco dessa história para o máximo de pessoas possível. Tentamos trazer bastante informação aqui que certamente, ao ouvir, as pessoas ficarão muito surpresas – positivamente”, comenta.
Ainda de acordo com Tatiana, o podcast também disponibilizará aos ouvintes uma lista extensa de bibliografias comentadas pelos entrevistados, para quem desejar se aprofundar no tema.
Realizado pela produtora Janga, empresa fundada por Tatiana Nascimento e formada por profissionais negros, que busca ampliar a presença negra na produção criativa, em parceria com a Central 3, o projeto também marca uma nova fase da produtora, que passa a ampliar seu investimento em séries documentais e narrativas históricas.
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