Na última quarta-feira (11), a Campanha Despejo Zero mobilizou cerca de 10 mil manifestantes na capital paulista em protesto contra o aumento das desapropriações forçadas e violentas nas comunidades e ocupações do estado de São Paulo.
Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e demais iniciativas em prol do direito à moradia, o ato percorreu o centro da cidade até a sede do Tribunal de Justiça (TJSP), na praça da Sé.
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De acordo com a campanha, há 696 processos de despejo em curso no estado. A organização destaca as ações no Jardim Pantanal, onde há 5 mil famílias em risco de perder suas casas. Em nota à imprensa, o movimento ressaltou a brutalidade e o excesso de força empregado pela polícia militar nas operações de desocupação.
“A luta por moradia é tratada como crime por prefeitos como Ricardo Nunes, e principalmente pelo governador Tarcísio e seu secretário de Segurança, Guilherme Derrite. As ações realizadas pelas polícias nas reintegrações estão se tornando cenas de massacre contra quem nunca teve condições de morar em outro lugar”, diz trecho do comunicado.
A Campanha Despejo Zero recorda que na Favela do Moinho, zona central da capital paulista, os ataques policiais só cessaram após a intervenção direta do governo federal. Crianças, adolescentes e idosos foram vítimas da agressão institucional, e a imprensa foi proibida de entrar na favela para registrar os fatos.
No dia 24 de maio, a Polícia Militar e a Ronda Ostensiva Municipal (ROMU) de Itapecerica da Serra despejaram famílias do MTST de uma ocupação realizada de forma pacífica no dia anterior.
Para a coordenadora nacional do MTST, Ana Paula Perles, o agravamento da repressão às lutas por moradia em São Paulo denuncia a postura do governo estadual diante das ocupações.
“Tarcísio e Derrite declararam guerra a todos que lutam para o povo ter onde morar. Não há espaço para diálogo. Se as intervenções policiais seguirem com essa postura abusiva, um massacre pode acontecer nas próximas semanas”, afirmou.