Ao menos 21 capitais e 89 cidades registraram, no último domingo (7), protestos contra o feminicídio e o aumento de casos de violência de gênero. A mobilização, organizada pelo Levante Mulheres Vivas, ocorreu após recentes ocorrências de assassinatos e agressões contra mulheres.
De acordo com o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam), do Ministério das Mulheres, entre 2015 e 2024, mais de 11 mil casos de feminicídio foram registrados, além de 29,6 mil ocorrências de homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte de mulheres no Brasil.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontou que, em 2024, foram registrados 16,7 mil vítimas de estupro, uma média de 55 por dia.
Os protestos reuniram milhares de manifestantes, representantes de movimentos de defesa dos direitos da mulher e parlamentares de esquerda alinhados à mobilização.
O ato na cidade de São Paulo, segundo a Universidade de São Paulo (USP), reuniu cerca de 9,2 mil pessoas em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), na Avenida Paulista.
Na capital fluminense, centenas de mulheres protestaram na Avenida Atlântica, à altura do Posto 5 da praia de Copacabana, Zona Sul da cidade. Em Belo Horizonte, as manifestantes caminharam até a Praça da Estação, no centro da capital mineira.
Deputadas se manifestam
Em publicação no X (antigo Twitter), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que esteve presente na manifestação na capital paulista, destacou a redução do orçamento das Delegacias da Mulher no estado de São Paulo e denunciou a escalada de violência contra mulher.
“Não é certo que o governador dizime, ano após ano, o orçamento das Delegacias da Mulher. Não é certo que as plataformas lucrem com o incentivo à misoginia, ao ódio e à violência contra as mulheres, e que esse discurso sequer seja considerado um crime”, declarou.
🚨 MULHERES VIVAS!
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) December 7, 2025
Neste final de semana, fomos às ruas de todo o país pelo direito das mulheres à VIDA.
E não, não é certo que, em pleno 2025, ainda tenhamos que protestar por isso.
Não é certo que tenhamos que ocupar a Paulista pra denunciar que homens estão nos matando.… pic.twitter.com/2tptBaJb8R
A vereadora de São Paulo, Amanda Paschoal (PSOL), ressaltou que a cultura de ódio às mulheres promove injustiça, insegurança e a morte.
“Elas são consequência de projetos de poder que insistem em roubar a humanidade das mulheres, negar nossa dignidade e calar a nossa voz. E em São Paulo, a capital do feminicídio, são culpa também da negligência e da falta de prioridade do prefeito e do governador. É revoltante que sejamos obrigadas a ir às ruas reivindicar o básico. O direito de viver”.
Para a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), a força das mobilizações demonstram a urgência do combate à violência de gênero.
“Basta. Basta de violência contra a mulher. Que a coragem das mulheres que ocuparam as ruas ontem siga abrindo caminhos para um Brasil onde viver não seja um ato de resistência, mas um direito garantido“, defendeu Petrone.
Ontem, em todo o Brasil, vimos a força imensa de mulheres que se recusam a aceitar o inaceitável. Mulheres reunidas, de mãos dadas, corpos presentes e vozes firmes, exigindo o fim do feminicídio. Não é possível naturalizar que 1.500 mulheres sejam assassinadas todos os anos no… pic.twitter.com/3BXgVPA8mG
— Talíria Petrone (@taliriapetrone) December 8, 2025
A deputada estadual Andreia de Jesus (PT-MG) recordou do assassinato da cabo Maria de Lourdes Freire, de 25 anos, morta e carbonizada pelo soldado Kevin Barros da Silva, no dia 6 de dezembro.
“Por ela e por todas nós, estamos na ruas hoje”, declarou.
Maria de Lourdes Freire, tinha 25 anos, saxofonista, cabo do exercício brasileiro há 5 meses.
— Andréia de Jesus 51.120 votos (@andreiadejesuus) December 7, 2025
Foi morta CARBONIZADA DENTRO DO QUARTEL pelo soldado do exército , Kelvin Barros da Silva, de 21 anos.
Por ela e por todas nós, estamos nas ruas hoje. pic.twitter.com/L7AeZftW2k