Moradores da Comunidade Quilombola Grotão, na zona rural da cidade de Filadélfia (TO), denunciaram um incêndio que durou mais de cinco dias, causado por falhas na rede elétrica. A informação foi divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na segunda-feira (9).
Segundo o comunicado, o fogo teve início no dia 1 de setembro e persistiu por mais de cinco dias, atingindo roçados e áreas de vegetação nativa do Cerrado. A entidade informou que não houve nenhum auxílio dos órgãos competentes.
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O fogo teria começado após a queda de uma árvore sobre a linha de transmissão de energia elétrica, rompendo a fiação. Outras três árvores caíram sobre a rede e algumas ainda estão sob risco de queda em decorrência do avanço das chamas.
A comunidade relata que há anos a concessionária responsável pelo fornecimento de energia não realiza as podas necessárias na vegetação próxima à rede, limitando-se a ações emergenciais quando há queda de galhos ou acidentes com animais.
“A partir dos esforços dos moradores, o fogo foi contido, mas a situação da rede elétrica e a negligência dos órgãos responsáveis segue colocando em risco o Cerrado e as famílias quilombolas. Nessa terra marcada pela luta pela preservação ambiental, o incêndio já destruiu áreas de vegetação nativa e continua ameaçando o território todo”, diz trecho da nota à imprensa.
A área mais atingida, de acordo com a CPT, foi o “Brejo da Maria Viúva”, uma área de preservação que possui uma fonte de água que abastece o território do quilombo.
Além da ausência de apoio da empresa de energia, os moradores também denunciam a falta de apoio de órgãos públicos, como o Instituto Natureza do Tocantins (Naturantins), a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. Nenhuma ação teria sido realizada para controlar o fogo.
Também foi feito um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, buscando a apuração das responsabilidades e as providências cabíveis.
“Hoje, estamos sozinhos enfrentando o fogo. Estamos fazendo a nossa parte, mas precisamos de apoio imediato antes que a tragédia seja ainda maior. O que chegou na nossa porta foi o medo e a destruição causada pelo fogo”, declarou uma liderança.