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Quilombolas e ribeirinhos participam do ‘Grito dos Excluídos’ em Salvador

A luta pela regularização dos territórios e o modo de vida dos povos tradicionais serão as temáticas apresentadas durante o desfile

Texto: Redação | Foto: Amanda Oliveira

Imagem mostra uma mulher e uma idosa negras de mãos dadas durante uma celebração.

Foto: Foto: Amanda Oliveira

5 de setembro de 2023

Para defender o reconhecimento dos territórios onde moram e a garantia de seus direitos, representantes de comunidades quilombolas e ribeirinhas acompanhadas pela Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3 estarão no Grito dos Excluídos e das Excluídas 2023, em Salvador (BA).

Com cartazes que revelam a importância deles para a diminuição do impacto das mudanças climáticas e que cobram a necessidade da regularização fundiária dos povos tradicionais, eles participarão da tradicional manifestação promovida pela Igreja Católica e entidades parceiras. A saída do Grito dos Excluídos é do Campo Grande, logo após a passagem do desfile oficial do 7 de setembro.

“O modo de vida dessas comunidades contribui para o planeta e o enfrentamento das mudanças climáticas. Elas produzem sem agrotóxicos. A relação com o planeta não é mercantil, é espiritual. Não explora, mas cuida. Manter as comunidades é central para esse debate da importância da gente enfrentar as questões climáticas”, destaca o engenheiro agrônomo Márcio Lima, coordenador do Programa Global das Comunidades da Nossa América Latina, promovido pela Cáritas.

Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), os povos indígenas e tradicionais são responsáveis pela proteção de 30,9% das florestas do Brasil. Mas no caso dos quilombolas, por exemplo, de acordo com o censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 12,6% residem em território reconhecido. A falta da regularização fundiária é um dos fatores que contribui para o surgimento de conflitos e casos de violência, que incluem ameaças de morte e assassinatos como o da iarolixá Bernadete Pacífico.

“As comunidades quilombolas estão em constante ameaça. Como não tem título (da terra), sofrem ameaças, ligadas à perda dos territórios, principalmente dos grandes empreendimentos e projetos, grandes latifundiários. São regiões que têm alto nível de tensão, conflito pela questão da terra. Essas comunidades enfrentam esse desafio com lideranças ameaçadas por lutarem por justiça territorial. A sociedade precisa saber da importância e defesa desses territórios”, explica Lima.

O coordenador do programa chama atenção ainda para a presença feminina na defesa dos territórios. “As mulheres têm sido centrais na luta das comunidades. Mãe Bernadete (liderança quilombola recentemente assassinada na Bahia) é um exemplo. Lideranças quilombolas vêm lutando e estão sendo ameaçadas”, alerta.

O Grito dos Excluídos está na 29º edição e este ano questiona: “Você tem fome e sede de quê?” “O Grito é um espaço histórico. Ele faz a contraposição a essa data em que é comemorada a liberdade, a independência do Brasil, mas quando você olha para a realidade sócio política ainda existem injustiças sociais. Enquanto existirem injustiças sociais e econômicas, se faz necessário o Grito”, conclui Lima.

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