A capital da Bahia e a Região Metropolitana de Salvador (RMS) atingiram, em maio, o maior número de adolescentes atingidos por armas de fogo desde 2022. As informações são do relatório do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta segunda-feira (9).
Segundo o levantamento, dez adolescentes foram atingidos por armas de fogo no último mês, o maior número mensal já registrado pelo instituto.. Em Salvador, sete jovens foram baleados: três morreram e quatro ficaram feridos. Em Lauro de Freitas, dois adolescentes ficaram feridos, e em Camaçari foi registrada uma morte.
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O quinto relatório mensal de 2025 aponta 137 casos de tiroteios nas áreas analisadas, com 122 mortos e 28 feridos. A cidade de Salvador lidera os municípios com mais registros, somando 96 ocorrências e 78 óbitos. Em seguida, Camaçari e Lauro de Freitas se destacam com respectivamente 15 e 12 mortes.
Do total de trocas de tiros registradas no período, 59 ocorreram durante ações e operações policiais. O número equivale a cerca de 43% dos casos. De acordo com o Fogo Cruzado, o índice de tiroteios em abordagens da polícia aumentou 16% em relação a 2024.
O documento destaca o recorte racial das vítimas. Entre as identificadas como negras, 65 foram mortas e quatro ficaram feridas. Uma pessoa branca foi morta. Segundo o relatório, não foi possível identificar o recorte racial de 80 pessoas, sendo 56 mortas e 24 feridas.
Apesar do número expressivo de tiroteios, o total representa uma redução de 13% em relação a 2024, quando foram registrados 157 casos.
Tailane Muniz, coordenadora regional do Fogo Cruzado na Bahia, destaca que a falta de políticas públicas eficazes para proteger a comunidade evidencia a vitimação de jovens.
“É sintomático que nossas vítimas sejam cada vez mais jovens. Se não há política de proteção da população, os mais vulneráveis estarão nessa estatística, inevitavelmente. O que é preocupante, sobretudo porque este mesmo grupo etário deveria ser prioridade no quesito garantia de direitos”, declarou Muniz, em nota à imprensa.