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Seminário em São Paulo debate novas diretrizes para segurança pública

Encontro reunirá movimento negro, academia e gestão pública para propor ações de combate à violência estatal e consolidar carta pública ao governo
Imagem de um policial militar ao lado de uma viatura.

Imagem de um policial militar ao lado de uma viatura.

— Rovena Rosa/Agência Brasil

18 de setembro de 2025

Nos dias 19 e 20 de setembro de 2025, São Paulo receberá o Seminário Nacional “Segurança Pública, Racismo e Interseccionalidades no Brasil”. O encontro, que acontece no Sindicato dos Químicos, pretende integrar saberes do movimento negro, da academia, da gestão pública e da sociedade civil para redefinir as bases da segurança pública no país.

A proposta é construir coletivamente novas diretrizes para uma política antirracista e democrática, comprometida com a vida, substituindo a lógica de repressão seletiva e violência estatal por estratégias de prevenção, cuidado e participação social.

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O evento resulta da articulação entre FES Brasil, Ocupação Cultural Jeholu, Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Conselho de Griots do Movimento Negro Unificado (MNU) e Instituto Plural. Nos meses anteriores, essas organizações promoveram debates, escutas e atividades preparatórias em territórios da zona sul e leste da capital paulista, com apoio do Sindicato dos Químicos e do vereador Hélio Rodrigues.

“A segurança pública sempre teve esse viés do racismo como base de suas ações, infelizmente, vindo de uma construção histórica desde período da escravidão. A iniciativa do seminário, portanto, trata a questão como plataforma de criação de uma cidadania plena para todos”, disse em nota à imprensa Rafael Pinto, representante do CONEN e da Ocupação Jeholu.

O seminário reunirá nomes de referência do movimento negro, da gestão pública e da produção acadêmica, como Douglas Martins, Maria Sylvia de Oliveira, Felipe Brito, João Carlos Nogueira e Ronald Luiz dos Santos, além de lideranças comunitárias, especialistas em políticas públicas e pessoas diretamente atingidas pela violência de Estado. A Polícia Militar de São Paulo também participará em dois painéis.

Dados que sustentam a urgência de revisão da segurança pública

Os organizadores destacam que a urgência do debate se relaciona aos índices de violência. A Organização das Nações Unidas (ONU) já classificou a letalidade policial no Brasil como uma das mais altas do mundo. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 83% das pessoas mortas por ações policiais em 2023 eram negras.

Jovens negros têm 2,6 vezes mais chances de serem assassinados do que jovens brancos e representam cerca de 70% da população carcerária. Mulheres negras permanecem como as principais vítimas de violência letal e doméstica, frequentemente invisibilizadas nas políticas públicas.

O seminário terá mesas temáticas, grupos de trabalho e uma plenária final para validação das propostas. Os temas incluem racismo estrutural e violência de Estado, violência contra mulheres negras, segurança em territórios quilombolas e de religiões de matriz africana, juventude negra e desafios da gestão pública para romper o ciclo de extermínio e encarceramento em massa.

Entre os eixos em debate estão a desmilitarização das polícias, proteção de populações marginalizadas, integração de tecnologias e abordagens interseccionais na agenda de segurança. As contribuições serão sistematizadas em uma carta pública enviada aos Ministérios da Justiça, Igualdade Racial, Direitos Humanos e da Cidadania e das Mulheres.

Serviço

Seminário Nacional “Segurança Pública, Racismo e Interseccionalidades no Brasil”

Quando: 19 e 20 de setembro de 2025

Horários: entre às 8h e 18h

Onde: Auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo – Rua Tamandaré, 348, Liberdade, São Paulo (SP)

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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