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Senador Ciro Nogueira vaza celular de jornalista que denunciou propina do PCC

Em documento enviado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e divulgado pelo WhatsApp, o senador vazou o número do celular Flávio VM Costa.
Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Presidente do PP, senador Ciro Nogueira.

— Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

1 de setembro de 2025

No último domingo (31), o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, expôs publicamente o número do celular do jornalista Flávio VM Costa, que trabalha no portal ICL Notícias e é consultor de jornalismo na Alma Preta

O jornalista faz parte da equipe que investiga as ações do crime organizado que culminaram com operação da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita Federal no dia 28 de agosto de 2025.

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A reportagem “Acusados pela PF de chefiar esquema do PCC enviaram propina em dinheiro a Ciro Nogueira, diz testemunha”, assinada também pelos jornalistas Leandro Demori e Cesar Calejon, apresentou uma fonte que afirmou que Nogueira teria recebido uma sacola de dinheiro para apoiar o PCC em temas de seu interesse na área de combustíveis no Congresso. 

A fonte, mantida em sigilo pela reportagem, confirmou sua denúncia em depoimento à Polícia Federal, de acordo com o ICL. VM Costa foi o repórter encarregado de ouvir o posicionamento do senador, que negou ter qualquer tipo de relação com a organização criminosa.

Nogueira expõs número de VM Costa em documento enviado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e depois divulgou o material por WhatsApp. O documento foi classificado pela plataforma como mensagem “encaminhada com frequência”— ou seja, que está circulando intensamente pelo aplicativo .

O presidente do PP também escreveu que o portal ICL é “reconhecidamente um site de pistolagem da esquerda contra seus adversários, uma espécie de milícia digital”. 

Repúdio de entidades

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgaram notas de repúdio em relação ao episódio. 

Para o SJSP e a Fenaj, “tal postura adotada por um senador da República evidencia o perfil autoritário da direita brasileira”. As instituições também defendem “a necessidade de a sociedade como um todo se posicionar em defesa da autonomia de atuação dos jornalistas”.

Segundo a Abraji, o ataque teve “o claro intuito de esvaziar a reportagem publicada, que cumpriu a missão de apresentar a denúncia e ouvir o senador”.

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