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Atlas da Violência: 2 a cada 3 mulheres atendidas por violência doméstica já sofreram agressões anteriores

Levantamento mostra que mais de 100 mil mulheres relataram agressões anteriores ao buscar atendimento de saúde em 2024; especialistas apontam falhas na prevenção e na proteção
Imagem mostra as mãos de uma mulher negra sob um portão branco.

Imagem mostra as mãos de uma mulher negra sob um portão branco.

— Divulgação/Médicos Sem Fronteiras

7 de julho de 2026

Dois em cada três atendimentos de mulheres vítimas de violência doméstica registrados na rede de saúde brasileira envolveram pessoas que já haviam sofrido agressões anteriores. Os dados fazem parte do Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em 2024, unidades de saúde atenderam 186,1 mil mulheres após episódios de violência doméstica. Entre aquelas cujos registros continham essa informação, 100,8 mil afirmaram que não era a primeira vez que sofriam agressões. O número representa 66,2% dos casos com resposta válida, o equivalente a cerca de 276 atendimentos diários de mulheres vítimas de violência recorrente.

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Outras 51,4 mil mulheres, ou 33,8%, informaram que aquele havia sido o primeiro episódio de violência. Em 33,8 mil registros, não houve resposta para esse campo.

Os números revelam que a violência doméstica costuma ocorrer de forma repetida antes que as vítimas consigam acessar serviços de proteção ou romper a relação com o agressor.

Especialistas afirmam que a reincidência não ocorre por acaso. A violência doméstica costuma seguir uma sequência de episódios que começam com ameaças e agressões psicológicas, evoluem para violência física e podem culminar no feminicídio.

Leia mais: Brasil tem 11 milhões de mulheres vítimas de violência doméstica

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, compartilhou que romper esse ciclo representa um dos maiores desafios das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Segundo ela, as agressões ocorrem, em muitos casos, dentro de relações afetivas ou familiares, o que dificulta o afastamento do agressor. A pesquisadora afirma que muitas mulheres procuram ajuda apenas quando a violência já atingiu níveis mais graves.

Homicídios dentro de casa permanecem estáveis

O Atlas da Violência também mostra que, em 2024, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil. O número representa o menor patamar desde 2014. Apesar da redução dos homicídios de mulheres fora do ambiente doméstico ao longo da última década, as mortes ocorridas dentro das residências permaneceram praticamente estáveis.

Na avaliação de Samira Bueno, esse cenário demonstra que o país ainda não conseguiu conter a violência praticada dentro das relações familiares. Para a pesquisadora, o mesmo padrão aparece em casos de violência contra crianças e adolescentes.

Leia mais: Três Poderes fazem pacto para acelerar combate ao feminicídio

Governo anuncia medidas

Neste ano, o governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa voltada ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres e ao aprimoramento da resposta estatal aos casos de violência de gênero.

Também foram anunciados projetos de lei e decretos que incluem a criação do Cadastro Nacional de Agressores, a ampliação das hipóteses de afastamento imediato do agressor, medidas para combater ameaças feitas mesmo após a prisão e mudanças para reduzir a burocracia na concessão de medidas protetivas.

Texto com informações da Folha de S. Paulo.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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