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Itamaraty alerta para risco de ação militar dos EUA no Brasil após classificação de PCC e CV como organizações terroristas

Ministério das Relações Exteriores afirma que medida unilateral dos Estados Unidos pode afetar a soberania brasileira, ampliar sanções e comprometer a cooperação entre os países
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Salão Oval da Casa Branca em 20 de maio de 2025, em Washington, DC.

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Salão Oval da Casa Branca em 20 de maio de 2025, em Washington, DC.

— Jim Watson/AFP

7 de julho de 2026

O Ministério das Relações Exteriores alertou para o risco de ações militares dos Estados Unidos em território brasileiro após a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. 

A informação consta de resposta ao requerimento de informação do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), enviada em 1º de julho e assinada pelo chanceler Mauro Vieira. 

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“Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, afirma o documento. 

O ministro destacou que a classificação pode gerar impactos relevantes para a economia e para a soberania nacional. Autoridades estadunidenses poderiam aplicar medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas e organizações brasileiras.

Em maio, os Estados Unidos classificaram as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas. Na semana passada, o Departamento de Tesouro daquele país sancionou duas pessoas e três empresas brasileiras, acusando-as de supostos vínculos com o PCC.

Leia mais: Parlamentares negros classificam decisão dos EUA sobre PCC e CV como ameaça à soberania brasileira

Mauro Vieira disse que não houve comunicação formal dos Estados Unidos ao Brasil sobre a intenção de designar facções criminosas brasileiras como terroristas. Ele considera que a classificação não apresenta benefícios para a segurança dos países. 

“No plano estratégico e econômico, tal reclassificação tenderia a militarizar a agenda regional de combate ao crime organizado, elevar custos de compliance das empresas e do sistema financeiro nacional e penalizar atividades lícitas”, afirmou em documento anterior, de 29 de maio, direcionado ao deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM).

O chanceler apontou ainda que a amplitude dos termos aplicados na legislação de contraterrorismo dos EUA pode trazer sérias implicações para cidadãos brasileiros nas searas financeira, migratória e penal.

“Trata-se, portanto, de medida que tem impactos relevantes sobre a soberania do Brasil.”

O ministro avaliou que a classificação pode prejudicar a cooperação entre forças policiais dos dois países, “ao introduzir confusão entre dois fenômenos claramente diferentes à luz da legislação brasileira: o crime organizado e o terrorismo.”

Deputados negros criticam Flávio Bolsonaro

A deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) publicou em seu perfil nas redes sociais: “Esse Flávio Bolsonaro é um cara de pau! Pede para o Trump sobretaxar o Brasil e depois diz que o Lula é quem quis a taxação. O povo brasileiro não se deixa enganar e das urnas vão mandá-lo para a lata de lixo da história.”

Ela também afirmou: “A familícia Bolsonaro tem negociado os tarifaços, o ataque ao PIX, as nossas terras raras, em troca de apoio político e proteção internacional. Trump faz investimento num projeto de poder que coloca nossa soberania e riquezas como prêmio.”

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) classificou a situação como “gravíssima” e lembrou o histórico de ataques ao Brasil. “A última ação assim foi o ataque de submarino alemães contra navios brasileiros, na 2ª Guerra Mundial. Isso é crime de traição que Flávio Bolsonaro apoia e pediu a Trump.”

Leia mais: Especialista diz que classificar facções como terroristas é pretexto de Trump para violar soberania brasileira

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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