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Sete a cada dez gestantes com diagnóstico tardio de sífilis congênita são negras

A falta de diagnóstico e tratamento adequado para a sífilis congênita é uma faceta ainda pouco discutida do chamado racismo obstétrico.
Arte: Gênero e Número.

— Arte: Gênero e Número.

21 de novembro de 2025

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan) levantados pela Gênero e Número revelaram uma forma de racismo médico recorrente no pré-natal das mulheres negras. Mesmo fazendo o acompanhamento regular da gestação, as gestantes com sífilis dificilmente são diagnosticadas durante as consultas e tratadas adequadamente antes do parto.

A sífilis, uma infecção sexualmente transmissível, pode ser detectada na primeira consulta por testes simples e é chamada, nas gestantes, de sífilis congênita, por poder ser transmitida ao bebê. Se diagnosticada e tratada de forma apropriada, contudo, as chances de a mulher passar a doença para seu filho durante a gravidez ou o parto são quase nulas.

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Uma informação animadora, não fosse o fato de que 76% das gestantes brasileiras que fazem o pré-natal e só são diagnosticadas após o nascimento do bebê são negras – assim como sete a cada dez mulheres que recebem diagnóstico de sífilis congênita e não têm tratamento adequado.

Ou seja: além de não receberem o tratamento de que precisam para garantir sua saúde, essas mulheres perdem a chance de praticamente zerar a possibilidade de transmissão para seus filhos, perpetuando a sífilis congênita como uma questão de saúde atravessada por raça.

Em uma entrevista que aprofunda os dados aqui apresentados, a ginecologista e obstetra Larissa Caetano, mestra pela USP em gestação de alto risco, ressalta: “Acredito que o diagnóstico não é feito nessas mulheres pelo racismo. Não vejo outro motivo. O teste é simples, faz parte da rotina de qualquer pré-natal”.

A falta de diagnóstico e tratamento adequado para a sífilis congênita é, portanto, uma faceta ainda pouco discutida do chamado racismo obstétrico – termo cunhado pela antropóloga Dána-Ain Davis para descrever como o racismo se manifesta de forma específica na assistência à gestação e ao parto de mulheres negras, como mostra esta outra reportagem.

especial sobre racismo obstétrico, a entrevista com a obstetra Larissa Caetano e esta reportagem visual são parte de nossa série Juntas pelo Bem Viver, uma iniciativa da Coalizão de Mídias Negras e Feministas. Fique por dentro dos demais conteúdos da série.

METODOLOGIA

Os dados sobre sífilis congênita fazem parte do Sistema de Informações de Agravos de Informações (Sinan) e estão disponíveis no site do datasus. A manipulação da base, que ocorreu no programa R, contou com a junção de informações dos anos de 2019 a 2023. Além disso, foram feitas alterações em algumas categorias de variáveis, como o agrupamento de pretas e pardas em negras na resposta sobre a raça da mãe. Por fim, as categorias indígenas e amarelas foram analisadas, mas excluídas das visualizações em função do número absoluto pequeno e proporções que não alcançaram 1%.

EXPEDIENTE

Design de informação e coordenação de design
Victória Sacagami

Análise de dados
Diego Nunes da Rocha

Texto e edição
Bruna de Lara

Direção de conteúdo e revisão
Vitória Régia da Silva

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  • Gênero e Número

    A Gênero e Número é uma associação sem fins lucrativos que produz, analisa e dissemina dados especializados em gênero, raça e sexualidade em diferentes formatos para apoiar a garantia dos direitos de mulheres, populações negra, indígena e LGBTQIA+.

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