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Símbolo de resistência: camélias eram utilizadas por abolicionistas como código secreto

Ilustração mostra uma mulher negra com uma camélia na blusa e outras camélias ao seu redor.

Ilustração mostra uma mulher negra com uma camélia na blusa e outras camélias ao seu redor.

— Alma Preta

6 de julho de 2025

 No século XIX, a camélia branca se tornou mais do que uma flor decorativa: ela foi transformada em símbolo da resistência à escravização no Brasil. Entre abolicionistas, cultivar ou usar uma camélia era uma forma discreta, mas poderosa, de declarar apoio à liberdade. O gesto era arriscado e poderia atrair perseguições, mas representava um claro posicionamento político.

Originária da Ásia, a camélia chegou ao Brasil como planta ornamental, mas ganhou novo significado com o avanço da luta abolicionista. No Rio de Janeiro, o Sítio das Camélias, no bairro do Leblon, foi um desses espaços de resistência. De propriedade do comerciante português José de Seixas Magalhães, o local ficou conhecido por abrigar pessoas escravizadas em fuga, sendo lembrado como o “Quilombo do Leblon“.

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Símbolo de resistência, a camélia também foi adotada por figuras como Luiz Gama e José do Patrocínio, protagonistas da luta contra a escravização. Mesmo a Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea, recebeu buquês de camélias, embora sua atuação política estivesse distante das bases do movimento negro.

Após a abolição, o símbolo foi, por décadas, esquecido. Mas nos anos 1970 e 1980, movimentos negros resgataram a flor como marca da memória coletiva e da luta por liberdade. Em 2019, a Procuradoria Geral da República criou o Jardim das Camélias, um espaço de memória localizado na sede da instituição, em Brasília. A homenagem foi idealizada pelo Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Racismo e buscou reconhecer o papel da flor como símbolo da luta abolicionista e da resistência negra no Brasil.

A camélia branca segue como lembrança viva de um passado de luta abolicionista e da resistência negra, e representa a importância de preservar e valorizar a memória coletiva em torno da liberdade e da justiça social.

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  • Estudante de Jornalismo na USJT e moradora da periferia da zona sul de São Paulo, atua na comunicação inclusiva e acessível, com foco no jornalismo periférico. Comprometida com a valorização da cultura indígena e com a ampliação do espaço das mulheres na sociedade, também é apaixonada por música e cinema nacional.

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