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STF cria ouvidoria para indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais

Setor atenderá demandas de grupos historicamente excluídos; ouvidoria itinerante levará equipes da Corte a diferentes regiões do país
Registro do Primeiro Congresso Internacional Justiça Originária.

Registro do Primeiro Congresso Internacional Justiça Originária.

— Gustavo Moreno/STF

30 de abril de 2026

O Supremo Tribunal Federal (STF) inaugurou na quarta-feira (29) a Ouvidoria dos Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais. O novo setor integra a estrutura da Corte e oferece atendimento humanizado, inclusivo e acessível a essas populações.

A juíza-ouvidora do STF, Flávia da Costa Viana, destacou a importância dos grupos. “Esses povos ocupam parte relevante do território nacional e desempenham papel essencial na preservação ambiental, na produção de saberes tradicionais e na manutenção da pluralidade que compõe a sociedade brasileira”, disse segundo nota do STF.

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A criação do setor resulta do “STF Escuta“, iniciativa na qual o Supremo ouviu as demandas desses grupos no final de  2025. Participaram 160 pessoas, com representantes de 45 etnias indígenas, 29 comunidades quilombolas e 15 segmentos de comunidades tradicionais. 

“A partir das contribuições recebidas, consolidamos um relatório que embasou a criação deste espaço”, afirmou Flávia.

A juíza ressaltou que, embora a Constituição Federal de 1988 represente um marco no reconhecimento da diversidade cultural do país, ainda existem desafios para transformar esse reconhecimento em garantias concretas. Ela citou a necessidade de ampliação dos espaços de participação social e de superação de barreiras estruturais de acesso.

“Escutar não é apenas receber, mas compreender com fidelidade e encaminhar com responsabilidade”, explicou a magistrada.

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Ouvidoria itinerante e ouvidores comunitários

Entre as principais estratégias anunciadas está a criação de uma ouvidoria itinerante. Equipes do STF percorrerão diferentes regiões do país para atendimento presencial. A medida reduz obstáculos geográficos e fortalece a confiança dessas populações na instituição.

Outra frente é a formação de ouvidores comunitários. Representantes escolhidos pelas próprias comunidades atuarão como mediadores culturais entre os grupos e o STF. A ideia facilita a comunicação e garante que as manifestações sejam encaminhadas de forma adequada, respeitando a autonomia dos povos.

O Tribunal prevê ações de capacitação interna para servidores e colaboradores, com foco no atendimento inclusivo e respeitoso. Treinamentos e a distribuição de materiais orientarão o acolhimento dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. 

A iniciativa segue o modelo já adotado para o atendimento de outros grupos, como população negra, pessoas com deficiência, comunidade LGBTQIA+, mulheres e idosos.

Flávia da Costa Viana afirmou que a criação da ouvidoria representa para o STF um passo na promoção da inclusão institucional e no fortalecimento do diálogo com a sociedade. 

“Respeitar e valorizar esses povos é reconhecer nossas raízes e celebrar a diversidade que forma o país”, concluiu.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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