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Sueli Carneiro: 75 anos de referência do pensamento antirracista e do feminismo negro

A escritora e filósofa brasileira é reconhecida como uma das principais intelectuais do movimento
A escritora e filósofa Sueli Carneiro.

A escritora e filósofa Sueli Carneiro.

— Reprodução/USP

24 de junho de 2025

Neste 24 de junho, a escritora e filósofa Sueli Carneiro, reconhecida como uma das maiores intelectuais do movimento negro e do feminismo no Brasil, completa 75 anos.

Aparecida Sueli Carneiro Jacoel nasceu na capital paulista, em 1950. Formada em Filosofia e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), Sueli é co-fundadora do Instituto Geledés, a primeira organização negra e feminista independente de São Paulo.

Com mais de 150 artigos publicados em jornais, revistas e livros fundamentais para as temáticas de gênero, raça e interseccionalidade, o trabalho da intelectual impactou profundamente o ativismo pelo direito das mulheres negras.

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A filósofa é autora de obras como “Dispositivo de Racialidade” (2023) e “Mulheres em movimento” (2003), onde elabora conceitos como o “epistemicídio”, apagamento sistemático dos saberes negros nos espaços institucionais e acadêmicos. Na publicação, a autora articula o pensamento decolonial às resistências produzidas por mulheres negras ao longo da história.

Ao longo de sua trajetória, Sueli também desenvolveu ações concretas como o projeto Rappers, voltado à proteção da juventude negra diante da violência policial. Foi ainda a criadora, nos anos 1990, do primeiro programa brasileiro de saúde física e mental destinado exclusivamente a mulheres negras.

Em 2022, a escritora foi reconhecida com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB), tornando-se a primeira mulher negra a receber a mais alta honraria concedida pela instituição.

Além da homenagem, Sueli Carneiro também recebeu importantes prêmios, como o Bertha Lutz, o Benedito Galvão, o Prêmio Itaú Cultural 30 Anos e o Especial Vladimir Herzog, além de reconhecimentos internacionais como o Prêmio Direitos Humanos da República Francesa e a Menção Honrosa no Prêmio Franz de Castro Holzwarth.

Seu legado é uma convocação permanente à construção de uma sociedade que enfrente o racismo não apenas como discurso, mas como estrutura a ser desmontada.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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