A Universidade Zumbi dos Palmares anunciou uma parceria inédita com a Galileu Saúde para disponibilizar check-ups digitais gratuitos e desenvolver uma pesquisa focada na precisão de tecnologias de Inteligência Artificial para peles negras. A iniciativa alcançará cerca de 1.500 alunos e colaboradores e inaugura um estudo de 12 meses sobre acurácia em peles retintas, tema ainda pouco explorado na indústria de saúde digital.
A ferramenta da Galileu, já utilizada por mais de 1,2 milhão de pessoas no Brasil e no exterior, permite ao usuário obter estimativas de pressão arterial, frequência cardíaca e idade aparente da pele apenas ao abrir a câmera do celular. O sistema cruza dados pessoais e clínicos com fotopletismografia remota e redes neurais. A partir disso, gera análises de risco e acompanha indicadores ao longo do tempo.
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A primeira etapa da parceria garante acesso gratuito ao aplicativo da Galileu Saúde para a comunidade da universidade. O sistema registra histórico médico, doenças preexistentes, fatores hereditários e outros indicadores, permitindo o monitoramento contínuo da saúde dos participantes.
Além do uso individual da ferramenta, a Universidade Zumbi dos Palmares oferecerá suporte presencial para medições analógicas complementares. A instituição disponibilizará profissionais e estrutura para acompanhar coletas e ampliar a precisão dos registros.
Estudo busca calibrar algoritmos para peles retintas
O eixo central da parceria está no desenvolvimento de uma pesquisa dedicada à melhoria da acurácia da tecnologia em tonalidades de pele negras. Durante 12 meses, os dados coletados (mediante autorização dos usuários e tratados conforme a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) formarão uma base capaz de revelar padrões de saúde, necessidades específicas e possíveis limitações do algoritmo.
Os resultados deverão orientar ajustes na ferramenta para garantir que o check-up digital ofereça estimativas mais precisas para diferentes tonalidades de pele, enfrentando desigualdades já documentadas em tecnologias biométricas e sistemas baseados em visão computacional.
Para o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, a iniciativa responde a lacunas persistentes nas políticas de prevenção e cuidado voltadas à população negra.
“Ainda existem lacunas importantes na assistência e na prevenção voltadas à população negra. Ao unir tecnologia, ciência e inclusão, damos um passo histórico para gerar dados, desenvolver soluções e garantir que vidas negras tenham acesso a cuidados mais precisos, dignos e alinhados às suas realidades.”, afirma.
Luiz Gozzi, vice-presidente da Galileu Saúde, disse que o objetivo é fortalecer uma saúde preventiva e mais inclusiva. Como contrapartida, a universidade vai disponibilizar suporte presencial para medições analógicas complementares, com um profissional capacitado para acompanhar as coletas de dados.