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Wagner Moura defende democracia em discurso após ganhar Globo de Ouro com ‘O Agente Secreto’

Filme de Kléber Mendonça Filho venceu as categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e de Melhor Ator em Filme de Drama; discurso de Wagner Moura destaca ditadura como “trauma geracional”
O ator brasileiro Wagner Moura, na cerimônia do Globo de Ouro, em 11 de janeiro de 2026.

O ator brasileiro Wagner Moura, na cerimônia do Globo de Ouro, em 11 de janeiro de 2026.

— Etienne Laurent / AFP

12 de janeiro de 2026

O ator soteropolitano Wagner Moura venceu, no domingo (11), o prêmio Globo de Ouro, uma das premiações de maior destaque do cinema internacional, com o filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Na cerimônia que ocorreu em Los Angeles, nos Estados Unidos, o longa-metragem brasileiro ganhou a disputa pelo Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com a elogiada atuação de Moura. O país também foi destaque no prêmio de Melhor Filme de Drama, que ficou com Hamnet, da chinesa Chloé Zhao.

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Em seu discurso, o ator celebrou a equipe e ressaltou que o filme é uma maneira de expressar o trauma geracional da população brasileira em relação à ditadura militar. 

“O agente secreto é um filme sobre memória, sobre a falta dela e sobre trauma geracional. Eu acho que se o trauma pode ser passado de geração para geração, os valores também podem”, discursou Wagner Moura, ao receber o prêmio.

Wagner Moura destacou, em coletiva de imprensa ao final do evento, a necessidade de continuar produzindo filmes sobre o regime militar, ao qual chamou de “cicatriz aberta do povo brasileiro”. O artista ainda mencionou os anos de mandato do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, preso desde novembro de 2025, como um aceno da política contemporânea à ditadura.

“Nós tivemos um presidente de extrema-direita/fascista entre 2018 e 2022, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura, que continua muito presente no cotidiano dos brasileiros”, completou.

O diretor Kleber Mendonça Filho aconselhou os jovens cineastas estadunidenses a produzir filmes sobre o atual contexto político-social do governo de Donald Trump, que endureceu as políticas de repressão contra pessoas imigrantes no país. Recentemente, uma mulher foi morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), na cidade de Minneapolis.

“Gostaria de me dirigir especialmente aos jovens cineastas americanos, e conheço muitos”, disse Mendonça Filho, em uma coletiva de imprensa após receber o prêmio. “Acho que existe muita tecnologia disponível para se expressar, e acho que este é um ótimo momento para isso. E acredito que os jovens cineastas americanos têm muito a dizer sobre o que acontece nesta sociedade”, declarou Mendonça.

Após comentar sobre o impacto dos governos de direita, o cineasta apontou o cinema como uma forma legítima de expressar as insatisfações e as tensões da sociedade.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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