O website-pesquisa Linha de Cor, que reflete sobre o racismo estrutural no Brasil a partir da investigação de leis e projetos responsáveis por sustentar a política de branqueamento racial, será lançado nesta sexta-feira (3) em um seminário na Universidade de Brasília (UnB), a partir das 14h. Além da apresentação da iniciativa, haverão debates sobre os temas que norteiam o projeto.
Idealizado pela cineasta e artista visual Mariana Luiza, o projeto transmídia reúne múltiplos desdobramentos interligados: uma pesquisa acadêmica, um website, um programa de educação, a exposição de artes visuais “Constituinte do Brasil Possível” e o fillme “A Cor da Margem”, um ensaio poético-documental sobre memória, identidade e colonialismo.
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Com pesquisa iniciada em 2018 e coordenada pelas professoras Ana Flávia Magalhães Pinto (UnB) e Thula Pires (PUC-Rio), o projeto é desenvolvido por uma equipe totalmente negra, formada por mais de 90 pessoas – entre elas 11 pesquisadores doutores, doutorandos e mestrandos em direito e história. O objetivo é colaborar com o fortalecimento de uma educação antirracista no Brasil, disponibilizando conteúdos gratuitos no novo website.
“A negação/naturalização do racismo na sociedade brasileira fundamentou uma matriz de memória que ainda hoje limita as possibilidades de reconhecimento da agência histórica da população negra. A fixação da gente negra às imagens da escravidão, por exemplo, tem servido até mesmo para que não se enfrente a centralidade do racismo na formação desta Nação. Como memória é política, o projeto busca oferecer subsídios para que a disputa por uma real democracia ocorra em melhores condições”, destaca a historiadora e ativista Ana Flávia Magalhães.
Entre os materiais disponíveis no site destacam-se uma linha do tempo organizada a partir do mapeamento de mais de 120 verbetes jurídicos, que evidenciam o caráter racista de leis e projetos políticos formulados desde 1823 até a Constituição de 1988; verbetes históricos e ações de resistência que revelam como a população negra, de forma individual e coletiva, enfrentou tais dispositivos; além de planos de aula gratuitos destinados a educadores, concebidos para subsidiá-los no cumprimento das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 em práticas pedagógicas, tanto no ambiente escolar quanto em outros espaços educativos.
“As normas jurídicas ao longo da história brasileira construíram um Estado de exclusão, onde o extermínio das pessoas não brancas dá o tom. Denunciar essa estrutura é fundamental, mas igualmente essencial é disputar os imaginários políticos invisibilizados pela história oficial, abrindo espaço para outras percepções e construções de vida e cidadania plenas em nossa sociedade”, destaca a coordenadora de pesquisa Thula Pires.
Confira a programação completa na página do Linha de Cor.
Serviço
Quando: 3 de outubro de 2025, DAS 14h às 18h30
Onde: Auditório do PPGHIS – Universidade de Brasília, ICC Norte, Bloco B, Subsolo, Módulo 24
Entrada gratuita