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Acadêmicos do Tatuapé contará história da RD Congo no Carnaval 2027

Escola de samba paulistana levará ao Sambódromo do Anhembi a cultura do país africano que está em conflito que já deixou 17 mil mortos
Anúncio do samba-enredo da escola de samba de São Paulo, Acadêmicos do Tatuapé, para o carnaval de 2027.

Anúncio do samba-enredo da escola de samba de São Paulo, Acadêmicos do Tatuapé, para o carnaval de 2027.

— Reprodução/Will Ferreira/CARNAVALESCO

27 de abril de 2026

A Acadêmicos do Tatuapé anunciou o enredo para o desfile do Carnaval 2027. A agremiação da zona leste de São Paulo escolheu o tema “Congo Kinshasa: O Coração da África, A Herança Viva de Um Povo Que Resiste ao Tempo”. O carnavalesco Wagner Santos assina a proposta.

A escola publicou em rede social uma mensagem sobre a escolha. “Do Reino do Congo à vibração de Kinshasa, celebramos a força, a cultura e a resistência de um povo que atravessa o tempo. E no Brasil, essa história continua viva, no ritmo, na fé e na nossa identidade. Porque a história não se apaga… ela ecoa”, diz o texto.

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O enredo homenageia a República Democrática do Congo (RDC), país da África Central. A escolha do nome “Congo Kinshasa” diferencia a nação da República do Congo, conhecida como Congo-Brazzaville. Kinshasa é a capital da RDC.

Wagner Santos explicou a origem do tema. “Esse enredo foi trazido pela escola. Foi a embaixada que procurou a agremiação. Nós vamos fazer uma homenagem à República Democrática do Congo e vai ser uma grande honra”, disse ao site Carnavalesco.

O carnavalesco detalhou os elementos que comporão o desfile. “Nós vamos passar por tradições, vamos passar por festas, vamos passar por riquezas naturais, vamos passar por reservas, vamos passar por diversas situações: danças, máscaras, moda, folclore, diversos tipos de culturas que envolvem a República Democrática do Congo.”

Leia mais: Sabia que existem dois Congos? Entenda a diferença entre a República do Congo e a República Democrática do Congo

País homenageado vive guerra há mais de 30 anos

A homenagem ocorre em meio a uma grave crise humanitária na RDC. O conflito armado no leste do país já provocou a morte de pelo menos 17.015 pessoas e deslocou 7,4 milhões de civis, segundo relatório do governo congolês divulgado em fevereiro deste ano. O documento registra 15.769 execuções, 829 sequestros e 417 casos de tortura.

As cidades de Goma e Bukavu, capitais provinciais de Kivu do Norte e Kivu do Sul, estão entre as regiões mais afetadas pelas violações. A violência inclui a destruição sistemática de propriedades privadas.

A República Democrática do Congo ocupa posição estratégica na produção global de minerais. O país reúne reservas de coltan, cobalto, cobre, lítio e ouro. Essa concentração de recursos coloca a nação no centro de disputas econômicas e políticas, com impactos diretos sobre a população civil e o território.

O conflito também atinge a Floresta Tropical do Congo, considerada a segunda maior do planeta. A intensificação da guerra contribui para o avanço do desmatamento, da caça ilegal e da extração de madeira sem controle, com efeitos sobre a biodiversidade da região.


Leia mais: Em evento em SP, jornalista da Alma Preta relata bastidores da cobertura da guerra na RD Congo

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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