Após 30 anos de estrada, os integrantes do Planet Hemp anunciaram o fim da banda durante uma coletiva de imprensa em São Paulo no dia 17 de junho. A despedida dos palcos será com a turnê “A Último Ponta”, que passará por dez cidades, terminando em um show no Allianz Parque, na capital paulista, em 15 de novembro.
Desde o período pós-ditadura, o Planet Hemp fala sobre como a carreira do grupo foi marcada por repressão, além de encarceramento por apologia às drogas nos anos 1990. A defesa da legalização da maconha sempre foi parte essencial do posicionamento do grupo composto por Marcelo D2, BNegão, Formigão, Pedro Garcia, Nobru e Daniel Ganjaman, e anteriormente por Skunk, que faleceu em 1994, aos 27 anos, devido a complicações da AIDS.
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Durante a coletiva acompanhada pela Alma Preta, D2 afirmou que o grupo optou por engajar na pauta da maconha quando viram que a sociedade privilegiava pessoas brancas e prendia jovens negros por estarem em posse de pequenas quantidades da erva. “Quando eu e o Skunk pensamos em falar de maconha, meu pensamento era sobre isso, a gente queria levar luz àquela comunidade, às favelas do Rio de Janeiro”, disse.
BNegão ainda reforçou que a intenção sempre foi acabar com a marginalização em volta da maconha. O rapper contou que, durante o período trabalhando no Complexo de Bangú, presenciou jovens negros que tiveram a vida interrompida pelo encarceramento, por estar em posse de pequenas quantidades da erva. Ele ainda comentou sobre a ação do Supremo Tribunal Federal (STF), referente a liberação de pequenas quantidades de maconha. “Eu só vou comemorar na hora que eu ver a galera saindo da prisão, que foi para lá por causa dessa merda.”
A banda também ressaltou que não é um fim triste para os membros, e que agora eles devem comemorar os 30 anos de atividade como um “gurufim”, velório africano que comemora o fim de um ciclo. B.Negão encerrou sua fala afirmando ter esperança de que o legado do Planet Hemp ajudou a “despiorar” o mundo para próxima geração, com a certeza de que construíram algo memorável.
A turnê “A Última Ponta” passará por Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, e encerrará em São Paulo, com muita nostalgia e canções do álbum mais recente da banda, de 2022, chamado “Jardineiros”.