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Após 30 anos, Planet Hemp se despede dos palcos com sentimento de dever cumprido

Em coletiva de imprensa, Marcelo D2 reforçou que o legado da banda contribuiu com pautas de direitos humanos
Imagem mostra membros do grupo Planet Hemp em coletiva de imprensa no dia 17 de junho de 2025.

Imagem mostra membros do grupo Planet Hemp em coletiva de imprensa no dia 17 de junho de 2025.

— Marina Benini/Alma Preta

21 de junho de 2025

Após 30 anos de estrada, os integrantes do Planet Hemp anunciaram o fim da banda durante uma coletiva de imprensa em São Paulo no dia 17 de junho. A despedida dos palcos será com a turnê  “A Último Ponta”, que passará por dez cidades, terminando em um show no Allianz Parque, na capital paulista, em 15 de novembro. 

Desde o período pós-ditadura, o Planet Hemp fala sobre como a carreira do grupo foi marcada por repressão, além de encarceramento por apologia às drogas nos anos 1990. A defesa da legalização da maconha sempre foi parte essencial do posicionamento do grupo composto por Marcelo D2, BNegão, Formigão, Pedro Garcia, Nobru e Daniel Ganjaman, e anteriormente por Skunk, que faleceu em 1994, aos 27 anos, devido a complicações da AIDS. 

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Durante a coletiva acompanhada pela Alma Preta, D2 afirmou que o grupo optou por engajar na pauta da maconha quando viram que a sociedade privilegiava pessoas brancas e prendia jovens negros por estarem em posse de pequenas quantidades da erva. “Quando eu e o Skunk pensamos em falar de maconha, meu pensamento era sobre isso, a gente queria levar luz àquela comunidade, às favelas do Rio de Janeiro”, disse. 

BNegão ainda reforçou que a intenção sempre foi acabar com a marginalização em volta da maconha. O rapper contou que, durante o período trabalhando no Complexo de Bangú, presenciou jovens negros que tiveram a vida interrompida pelo encarceramento, por estar em posse de pequenas quantidades da erva. Ele ainda comentou sobre a ação do Supremo Tribunal Federal (STF), referente a liberação de pequenas quantidades de maconha. “Eu só vou comemorar na hora que eu ver a galera saindo da prisão, que foi para lá por causa dessa merda.”

A banda também ressaltou que não é um fim triste para os membros, e que agora eles devem comemorar os 30 anos de atividade como um “gurufim”, velório africano que comemora o fim de um ciclo.  B.Negão encerrou sua fala afirmando ter esperança de que o legado do Planet Hemp ajudou a “despiorar” o mundo para próxima geração, com a certeza de que construíram algo memorável.

A turnê “A Última Ponta” passará por Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, e encerrará em São Paulo, com muita nostalgia e canções do álbum mais recente da banda, de 2022, chamado “Jardineiros”.

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  • Marina Benini

    Jornalista pela PUC-SP e estudante de Produção Editorial pela UAM. Busca na escrita o empoderamento e aquilombamento. Apaixonada por literatura e entretenimento, luta pela representatividade no meio cultural.

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