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Beija-flor leva festejo tradicional do Candomblé para a Sapucaí nesta segunda (16)

Em busca do bicampeonato, Beija-Flor de Nilópolis homenageará uma das festas de religião de matriz africana mais antigas do país
Um integrante da Beija-Flor de Nilópolis fantasiado.

Um integrante da Beija-Flor de Nilópolis fantasiado.

— Reprodução/Beija-Flor

16 de fevereiro de 2026

A escola de samba Beija-Flor de Nilópolis apresenta, nesta segunda-feira (16), o enredo “Bembé”, que explora uma das mais tradicionais festas do Candomblé do Brasil, realizada no Recôncavo Baiano.

A agremiação será a segunda a desfilar na Marquês de Sapucaí, no segundo dia do evento. Desde 1889, a celebração “Bembé do Mercado” mobiliza milhares de adeptos de religiões de matriz africana nas ruas de Santo Amaro da Purificação (BA), em todo 13 de maio. 

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Com rituais públicos, cortejos e culto aos orixás, a festa reúne dezenas de terreiros e é considerada Patrimônio Imaterial da Bahia e do Brasil. A história da azul e branco de Nilópolis saúda a ancestralidade e as tradições das religiões afrobrasileiras. 

Segundo a escola, cerca de 250 integrantes da Soberana, nome dado à bateria, entoarão o samba-enredo, que, além do festejo, cita as Yabás — divindades femininas —, ritos de proteção e o Babalorixá João de Obá, líder religioso de origem africana que fundou o evento. 

Cerca de 40 representantes do Bembé do Mercado participarão do desfile, integrando o último carro alegórico da escola. A comitiva inclui o presidente, Pai Pote, e a Ya Egbe da instituição, Ana Rita Machado.

Neste ano, a agremiação  busca o 16º título, após vencer em 2025 com o enredo “Laíla de Todos os Santos”, que homenageou o carnavalesco Laíla, falecido em 2021. A ocasião também marcou a despedida do intérprete Neguinho da Beija-Flor. 

Conheça o samba

Atabaque ecoou, liberdade que retumba
Isso aqui vai virar macumba!

Deixa girar que a rua virou Bembé
Deixa girar que a rua virou Bembé
O meu Egbé faz valer o seu lugar
Laroyê, Beija-Flor, alafiá!

Não me peça pra calar minha verdade
Pois a nossa liberdade não depende de papel
Em Santo Amaro, todo Treze de Maio
Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu
Ê ê… João de Obá, griô sagrado
Ê ê… herança viva no Mercado
Cantando, saudamos a nossa fé
Às nações do Candomblé
Onde a paz e o respeito
Ressoam no couro do axé Funfun
Não tememos ataque algum
A rua, ocupamos por direito

Põe erva pra defumar
Um ebó pra proteger
Saraiêiê bokunan, saraiêiê!
Nosso povo é da encruza
Arte preta de terreiro
É mistura de cultura
Multidão de macumbeiro

O povo gira no xirê, a celebrar…
A fé se espalha em cada canto, em cada olhar
Transborda magia no toque do tambor
Às Yabás, o balaio e o amor…
Yemanjá alodê no mar (no mar)
É d’Oxum toda beleza do ibá
É reza no corpo, é dança na alma
A rosa, a palma, o omolocum…
É Dona Canô de todo recanto
Evoco a Baixada de Todos os Santos!

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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