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Brasileiro desenvolve ação artística na Colômbia e amplia diálogo entre territórios

Participação de Léo Araújo, o Neguim, visa troca de experiências entre artistas latino-americanos e afirmação da arte urbana como ferramenta identitária
O artista Léo Araújo, o Neguim.

O artista Léo Araújo, o Neguim.

— Edu Guimarães

10 de fevereiro de 2026

As diferenças entre os idiomas português e espanhol não impedem a comunicação entre seus falantes, mesmo que haja alguma dificuldade. Mas a linguagem pela qual Léo Araújo, o Neguim, contará sua história na Colômbia, de 12 a 15 de fevereiro, é compreendida por todos que vivenciam o cotidiano das periferias das grandes cidades: a arte de rua.

Artista visual e produtor cultural, morador e atuante a partir do Jardim Alvorada, em Santo André, Neguim foi convidado para participar do projeto “Arte En Fusión”, no distrito de Ciudad Bolívar, em Bogotá, na Colômbia. O convite foi feito pelo coletivo Montaña Cromática, que organiza o festival na capital colombiana.

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“Assim como o Jardim Alvorada, a Ciudad Bolívar é um bairro na periferia de Bogotá onde muitas pessoas invisibilizadas utilizam a cultura para se comunicar”, comenta o artista. “Eu, como um contemporâneo não-domesticado, que estuda a rua com consciência e usa a arte como mediação cultural e pertencimento, trago a voz coletiva”.

É por meio do graffiti, um dos elementos do hip-hop, que Léo Araújo transmite suas mensagens no ABC e, em breve, no país vizinho. A participação no “Arte En Fusión” consiste em uma pintura coletiva com artistas locais e convidados internacionais. Além do graffiti, o artista andreense vai ministrar palestra abordando a ideia de fusão, traçando paralelos entre os fazeres artísticos da Montaña Cromática e a Macacolândia, coletivo e projeto criado por Léo Araújo em 2015.

Sobre suas expectativas, Neguim diz querer que “as pessoas sintam essa energia de construção, como a Macacolândia construiu no Jardim Alvorada e trouxe uma mudança cultural. Para mim, a arte sempre foi transformação, especialmente para os esquecidos, porque dialoga com debates atuais, sobre acesso, memória, espaço urbano”.

“Poder pintar para as pessoas é comunicação. Mesmo que a língua não seja a mesma, essa transformação é mútua. Como somos povos da América Latina, falamos muito de ancestralidade. Acredito na força de unir pessoas que permanecem presentes no que fazem, reconhecem sua potência real e constroem, juntas, um sentimento comum sem apagar identidades. E isso é a ferramenta principal para toda essa mudança geral”, finaliza.

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